No dia 24/08/2006 a União Astronômica Internacional (International Astronomical Union, IAU) tirou Plutão da lista dos
planetas do Sistema Solar, que agora passa a ter apenas oito. Plutão foi incluído em uma nova classe : os planetas anões.
A nova categoria foi criada para resolver o problema do número crescente de corpos celestes de tamanho comparável a
Plutão que vem sendo descobertos. Um Sistema Solar com trinta ou mais planetas não seria muito assimilável nos colégios.
Agora, para ser considerado um planeta, o corpo celeste deve preencher três requisitos :
1 – Estar em órbita de uma estrela.
2 – Ser grande o suficiente para que sua gravidade o faça ter uma forma arredondada.
3 – Sua massa deve ser maior que a massa somada de todos os outros objetos com órbitas próximas à sua.
Plutão não atende ao terceiro requisito, pois sua órbita cruza a do gigante Netuno. Vejamos então uma breve descrição
do quadro mais recente :
Planetas Interiores : Mercúrio, Vênus, Terra e Marte (os pequenos rochosos)
Tabela 1 – Dados Orbitais
|
|
Mercúrio
|
Vênus
|
Terra
|
Marte
|
Raio Orbital Médio (x 10³ km)
|
57.910,0
|
108.208,93
|
149.597,871
|
227.939,1
|
Raio Orbital Médio (UA) (1)
|
0,387
|
0,723
|
1
|
1,524
|
| Periélio (UA)
|
0,308
|
0,718
|
0,984
|
1,382
|
| Afélio (UA)
|
0,467
|
0,728
|
1,017
|
1,666
|
Excentricidade da Órbita Elíptica
|
0,2056
|
0,0068
|
0,0167
|
0,0933
|
Período Orbital (dias)
|
87,86
|
224,7
|
365,25
|
686,97
|
Velocidade Orbital Média (km/seg)
|
47,87
|
35,03
|
29,79
|
24,13
|
Inclinação da Órbita (graus) (2)
|
7,00
|
3,40
|
-
|
1,85
|
(1) 1 UA (Unidade Astronômica) = Distância Média Terra-Sol = 149.597,871 x 10³ km
(2) Em relação à eclíptica, isto é, ao plano da órbita terrestre
Tabela 2
|
|
Mercúrio
|
Vênus
|
Terra
|
Marte
|
Diâmetro Equatorial (km)
|
4.850,0
|
12.140,0
|
12.756,272 (Dt)
|
6.790,0
|
Diâmetro Equatorial (Dt=1)
|
0,380
|
0,952
|
1
|
0,532
|
Densidade Média (g/cm³)
|
5,6
|
5,2
|
5,52 (dT)
|
3,95
|
Densidade Média (dT=1)
|
1,015
|
0,942
|
1
|
0,716
|
| Massa (x 10²¹ t)
|
0,3302
|
4,8690
|
5,9742 (MT)
|
0,6419
|
| Massa (MT=1)
|
0,0553
|
0,815
|
1
|
0,1075
|
Período de Rotação (dias)
|
58,646
|
243,02 (1)
|
1
|
1,027
|
Aceleração da Gravidade (m/seg²)
|
2,78
|
8,87
|
9,8062 (G)
|
3,69
|
Aceleração da Gravidade (G)
|
0,283
|
0,905
|
1
|
0,376
|
Inclinação Axial (graus)
|
0,01
|
177,36 (1)
|
23,45
|
25,19
|
Velocidade Equatorial (km/h)
|
10,8
|
6,5
|
1.670
|
867
|
Velocidade de Escape (km/seg)
|
4,2
|
10,46
|
11,18
|
5,027
|
| Satélites
|
0
|
0
|
1
|
2
|
(1) Gira no sentido horário
Cinturão de Asteróides
A suposição mais aceita é que os asteróides sejam remanescentes da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar, e que não
formaram um planeta devido à interferência da atração gravitacional de Júpiter. Ocorrem colisões entre os asteróides,
de modo que seu número se altera bastante ao longo do tempo. A massa total estimada para o cinturão é de 3,0 a 3,6 x 10²¹
kg (4% da massa da Lua), e 1/3 desta massa corresponde ao planeta anão Ceres. O cinturão se estende de 2,88 a 4,57 UA do
Sol.
Planetas Exteriores : Júpiter, Saturno, Urano e Netuno (os gigantes gasosos)
Tabela 3 – Dados Orbitais
|
|
Júpiter
|
Saturno
|
Urano
|
Netuno
|
Raio Orbital Médio (x 10³ km)
|
778.357,7
|
1.427.014,1
|
2.870.972,2
|
4.496.600,0
|
Raio Orbital Médio (UA) (1)
|
5,203
|
9,539
|
19,191
|
30,058
|
| Periélio (UA)
|
4,951
|
9,008
|
18,3
|
29,9
|
| Afélio (UA)
|
5,455
|
10,069
|
20,0
|
30,2
|
Excentricidade da Órbita Elíptica
|
0,0488
|
0,0542
|
0,0472
|
0,0087
|
Período Orbital (anos)
|
11,859
|
29,457
|
84,014
|
163,723
|
Velocidade Orbital Média (km/seg)
|
13,06
|
9,64
|
6,83
|
5,4
|
Inclinação da Órbita (graus) (2)
|
1,31
|
2,49
|
0,77
|
1,77
|
(1) 1 UA (Unidade Astronômica) = Distância Média Terra-Sol = 149.597,871 x 10³ km
(2) Em relação à eclíptica, isto é, ao plano da órbita terrestre
Tabela 4
|
|
Júpiter
|
Saturno
|
Urano
|
Netuno
|
Diâmetro Equatorial (km)
|
142.984
|
120.536
|
51.724
|
49.533
|
Diâmetro Equatorial (Dt=1)
|
11,209
|
9,449
|
4,055
|
3,883
|
Densidade Média (g/cm³)
|
1,314
|
0,707
|
1,209
|
1,673
|
Densidade Média (dT=1)
|
0,238
|
0,128
|
0,219
|
0,303
|
| Massa (x 10²¹ t)
|
1.898,78
|
568,50
|
86,63
|
102,76
|
| Massa (MT=1)
|
317,83
|
95,16
|
14,50
|
17,20
|
Período de Rotação (horas)
|
9,84
|
10,32
|
17,583 (1)
|
17
|
Aceleração da Gravidade (m/seg²)
|
22,88
|
9,05
|
7,77
|
11,0
|
Aceleração da Gravidade (G)
|
2,33
|
0,92
|
0,79
|
1,12
|
Inclinação Axial (graus)
|
3,08
|
26,73
|
97,86 (1)
|
29,56
|
Velocidade Equatorial (km/h)
|
45.765,0
|
35.850,0
|
13.700,0
|
9.000,0
|
Velocidade de Escape (km/seg)
|
59,5
|
35,49
|
21,29
|
24,0
|
| Satélites
|
63
|
49
|
27
|
13
|
(1) Gira no sentido horário
(2) Os quatro planetas exteriores possuem sistemas de anéis
Alguns comentários :
1 – Os planetas se agrupam em duas regiões bem distintas, separadas pelo Cinturão de Asteróides; veja as figuras abaixo
(do “Livro da Natureza”, Tomo I). Como se trata de um livro antigo, Plutão ainda aparece como planeta.
2 – A excentricidade das órbitas é muito pequena (linha 5, Tabelas 1 e 3), com exceção de Mercúrio, de modo que elas são
praticamente círculos (um círculo é uma elipse com excentricidade zero) :
3 – A velocidade orbital diminui quando a distância ao Sol aumenta (linha 7, Tabelas 1 e 3). Isto porque a atração
gravitacional vai diminuindo e pode ser compensada por uma velocidade dos planetas cada vez menor.
4 – As órbitas ocupam planos diferentes (linha 8, Tabelas 1 e 3).
5 – Os planetas Vênus e Urano tem rotação contrária aos outros.
6 – Como curiosidade, apresentamos uma tabela que mostra a duração dos períodos orbitais em “dias do planeta” (a idéia é
do escritor Isaac Asimov). Um hipotético jupiteriano, por exemplo, viveria 10.564 dos “seus” dias, enquanto o planeta
completa uma volta completa ao redor do Sol.
Tabela 5 – Período Orbital (Ano do planeta)
|
|
Em dias da Terra
|
Em dias do planeta
|
| Mercúrio
|
87,9
|
1,5
|
| Vênus
|
224,7
|
0,93
|
| Terra
|
365,3
|
365,3
|
| Marte
|
687,0
|
668,9
|
| Júpiter
|
4.331,5
|
10.564,6
|
| Saturno
|
10.759,2
|
25.021,3
|
| Urano
|
30.686,1
|
41.885,2
|
| Netuno
|
59.799,8
|
84.423,3
|
Planetas Anões
Mencionaremos apenas os três principais : Ceres (no Cinturão de Asteróides), Éris e Plutão (ambos no Cinturão de Kuiper).
Tabela 6
|
|
Ceres
|
Éris (3)
|
Plutão (4)
|
| Periélio (UA) (1)
|
2,54
|
37,77
|
29,66
|
| Afélio (UA)
|
2,99
|
97,56
|
49,31
|
Excentricidade da Órbita Elíptica
|
0,080
|
0,4418
|
0,2488
|
Período Orbital (anos)
|
4,6
|
557
|
248,9
|
Inclinação da Órbita (graus) (2)
|
10,59
|
44,19
|
17,14
|
Diâmetro Equatorial (km)
|
975
|
3.094
|
2.306
|
| Satélites
|
0
|
1 (5)
|
3 (6)
|
(1) 1 UA (Unidade Astronômica) = Distância Média Terra-Sol = 149.597,871 x 10³ km
(2) Em relação à eclíptica, isto é, ao plano da órbita terrestre
(3) UB313, Xena, 136199Éris
(4) 1340340Plutão
(5) Disnomia
(6) Caronte, Nix e Hidra
Cinturão de Kuiper
Os asteróides que formam o cinturão de Kuiper também seriam remanescentes da nebulosa que formou o Sistema Solar. Estes
asteróides são “objetos transnetunianos” chamados KBO (Kuiper belt object) e a estimativa é que sejam milhões. O cinturão
estende-se da órbita de Netuno (30 UA) até 50 UA do Sol, e considera-se atualmente que seja a origem dos cometas de curto
período.
Nuvem de Oort (Cinturão de Oort)
Sua existência foi proposta inicialmente em 1932 pelo astrônomo estoniano Ernst Öpike, e em 1950 pelo astrônomo holandês
Jan Hendrik Oort para explicar a existência dos cometas de longo período. É uma vasta região esférica que se estenderia
de 20.000 UA a 100.000 UA do Sol, representa o limite do Sistema Solar, e conteria bilhões de fragmentos que podem se
tornar cometas. A atração gravitacional do Sol é tão pequena a essa distância, que qualquer perturbação como o efeito
gravitacional de uma estrela próxima pode desviar um fragmento de sua órbita e enviá-lo em direção ao Sol. Ainda não há
evidências diretas da Nuvem de Oort.
Em Astronomia lidamos com distâncias muitos grandes, por isso é usual tomar a distância percorrida pela luz como
referência. A tabela seguinte mostra como ficam as distâncias em nosso sistema solar usando este critério.
Tabela 7 – Distâncias Médias ao Sol
|
|
Em km (x 10³)
|
Em UA (1)
|
Velocidade da luz como referência
|
| Mercúrio
|
57.910,0
|
0,387
|
3,217 minutos-luz (2)
|
| Vênus
|
108.208,93
|
0,723
|
6,012 minutos-luz
|
| Terra
|
149.597,871
|
1
|
8,311 minutos-luz
|
| Marte
|
227.939,1
|
1,524
|
12,663 minutos-luz
|
Cinturão de Asteróides
|
-
|
2,88 a 4,57
|
23,94 a 37,98 minutos-luz
|
| Júpiter
|
778.357,7
|
5,203
|
43,242 minutos-luz
|
| Saturno
|
1.427.014,1
|
9,539
|
1,321 horas-luz (3)
|
| Urano
|
2.870.972,2
|
19,191
|
2,658 horas-luz
|
| Netuno
|
4.496.600,0
|
30,058
|
4,164 horas-luz
|
Cinturão de Kuiper
|
-
|
30 a 50
|
4,2 a 6,9 horas-luz
|
| Nuvem de Oort
|
-
|
20.000 a 100.000
|
0,316 a 1,581 anos-luz (4)
|
(1) 1 UA = 8,311 minutos-luz
(2) 1 minuto-luz = 18.000 x 10³ km
(3) 1 hora-luz = 1.080.000 x 10³ km
(4) 1 ano-luz = 9,4608 x 10¹² km
Cometas
Descrevem uma órbita elíptica muito alongada. Compõe-se de um núcleo formado por pequenas partículas sólidas
envoltas por uma camada de gases que dão origem à cabeleira (ou coma) e à cauda. Podem ser formados
principalmente de gelo (de metano, amônia ou água).
Ao apresentar um assunto como esse corre-se o risco de passar uma imagem demasiado estática. Devemos imaginar o Sistema
Solar como um complexo dinâmico de bilhões (incluindo aqui a Nuvem de Oort) de corpos celestes de variados tamanhos, em
perpétuo movimento e unidos pela atração gravitacional. E como todo movimento é relativo, as órbitas elípticas existem
apenas no referencial do Sol, que é o referencial que nos interessa. Mas o Sol se move dentro da galáxia Via Látea, e
esta por sua vez também se move. Um viajante interestelar que se aproximasse do nosso sistema não veria os planetas
descrevendo elipses. A figura seguinte (sem escala) é uma tentativa de mostrar o Sol, a Terra e a Lua vistos de fora
do sistema :
Nota : O “Livro da Natureza” (Fritz Kahn), de onde tiramos as ilustrações, está recomendado na seção “Livros” do
site.