467. Inscrição em Pedra É Projeto da Torre de Babel, Diz Pesquisador
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Especialistas que analisaram uma inscrição de 2.600 anos dizem que ela é uma espécie de placa comemorativa da inauguração
da Torre de Babel, com detalhes do projeto celebrizado pela Bíblia.
A conclusão está num novo livro de título indigesto, "Cuneiform Royal Inscriptions and Related Texts in the Schoyen
Collection" ("Inscrições Reais em Cuneiforme e Textos Relacionados da Coleção Schoyen").
Martin Schoyen é um empresário norueguês, dono de uma coleção de antiguidades que inclui, entre outras coisas, inscrições
em cuneiforme (difícil sistema de escrita do antigo Oriente Médio) feitas a mando dos reis da Mesopotâmia, no atual Iraque.
Entre essas inscrições está uma estela - essencialmente um poste de pedra - erigida quando Nabucodonosor II governava a
Babilônia, entre 605 a.C. e 562 a.C. Coberta com textos e desenhos, a estela relata a construção de uma obra que, se fosse
egípcia, teria porte faraônico.
Terra e Céu
Seu nome era Etemenanki. Em sumério, idioma que já era arcaico nos tempos de Nabucodonosor II, a palavra significa "templo
das fundações da terra e do céu". E o rei da Babilônia carrega nas tintas propagandísticas ao descrever como construiu a estrutura,
cuja altura, segundo relatos posteriores, chegava a mais de 90 m.
"[Para construí-la] mobilizei todos em todo lugar, cada um dos governantes que alcançaram a grandeza entre todos os povos do
mundo. Preenchi a base para fazer um terraço elevado. As estruturas construí com betume e tijolo. Completei-a erguendo seu topo
até o céu, fazendo-a brilhar como o Sol", diz a inscrição na pedra.
O templo era dedicado ao deus Marduk, patrono da dinastia de Nabucodonosor.
Zigurate
A estrutura, que lembra um pouco uma pirâmide com degraus, encaixa-se na categoria dos zigurates, comum na arquitetura dos templos
da antiga Mesopotâmia.
A equipe liderada por Andrew George, especialista em babilônio do University College de Londres, publicou pela primeira vez a
descrição detalhada da estela no livro.
Para eles, a probabilidade de que o zigurate gigante tenha sido a inspiração para o relato bíblico da Torre de Babel é considerável.
Para começar, já se sabia que "Babel" ("A Porta do Deus") é apenas o nome dado pelos antigos hebreus à Babilônia.
Em segundo lugar, foi Nabucodonosor II o responsável por destruir o último reino israelita independente, o de Judá, arrasando o
templo de Jerusalém e deportando milhares de pessoas da terra de Israel para a Babilônia no ano 586 a.C.
Os deportados israelitas, portanto, teriam tido a chance de ver de perto a maior das obras de seu opressor, justamente no período
em que, segundo a maior parte dos estudiosos atuais, o texto da Bíblia estava sendo editado e consolidado no exílio (Nota 1).
A inspiração para a história do rei que tentou construir uma torre até o céu, portanto, teria vindo nessa época.
Se a hipótese de George e seus colegas estiver correta, a imagem na estela é a mais antiga representação da Torre de Babel, que
acabaria inspirando inúmeros artistas da Idade Média até hoje. Uma identificação definitiva, contudo, é difícil de obter sem
evidências mais diretas.
Fonte : Folha Online, 02/01/2012
Autor : Reinaldo José Lopes (editor de "Ciência e Saúde")
Nota 1 : É bom esclarecer que aqui se trata da Bíblia hebraica (Tanak). Os cristãos se apoderaram do texto hebraico
e o mudaram à sua vontade para criar o Velho Testamento. E com o acréscimo do Novo Testamento, chegou-se à Bíblia que conhecemos.
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A forma original da estela, uma espécie de pedra comemorativa com inscrições, do reinado de
Nabucodonosor
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Fiquei com a impressão de que a história da Torre de Babel foi criada a partir de sentimentos de ressentimento e inveja
para com os conquistadores dos hebreus. Eles nem teriam condições de construir obra tão monumental, e por isso sentiram
o gostinho de “destruí-la” em seu Livro Sagrado.
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