451. Estudo Mostra Que a Vida É Possível em 'Vastas Regiões' de Marte
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Cientistas australianos, que desenvolveram um modelo das condições de Marte para examinar quais regiões seriam habitáveis,
afirmaram em um artigo publicado na edição desta segunda-feira da revista científica Astrobiology que "vastas regiões"
do planeta vermelho poderiam abrigar a vida.
A equipe de Charley Lineweaver, da Universidade Nacional Australiana, comparou modelos de condições de temperatura e pressão
com as de Marte para calcular quanto do planeta seria habitável para organismos similares aos terrestres.
Enquanto apenas 1% do volume da Terra - do centro à alta atmosfera - abriga vida, Lineweaver disse que seu modelo inédito
demonstrou que 3% de Marte são habitáveis, embora a maior parte deste percentual seja subterrâneo.
"O que tentamos fazer, simplesmente, foi pegar quase toda a informação de que dispúnhamos, juntá-la e dizer : a idéia geral é
consistente com a existência de vida em Marte?”, disse o astrobiólogo à AFP.
"E a resposta simples é sim... Há vastas regiões em Marte que são compatíveis com a vida terrestre", acrescentou.
Enquanto estudos anteriores assumiram uma abordagem "fragmentada" ao examinar locais específicos de Marte em busca de sinais
de vida, Lineweaver disse que sua pesquisa é uma "compilação abrangente" de todo o planeta, com base em décadas de dados.
Foi encontrada água congelada nos pólos de Marte e o estudo da universidade australiana examinou quanto do planeta poderia reter
água, "que o tornasse habitável nos padrões terrestres para micróbios similares aos terrestres".
O ambiente de baixa pressão de Marte significa que a água não pode existir em estado líquido e vaporizaria na superfície, mas
Lineweaver afirmou que as condições seriam adequadas no subterrâneo, onde o peso do solo daria a pressão adicional necessária.
O planeta seria quente o suficiente em algumas profundidades para bactérias e outros microorganismos se desenvolverem, devido ao
calor do centro do planeta.
A temperatura média na superfície de Marte, o vizinho mais próximo da Terra, é de -63ºC.
Lineweaver afirmou que seu estudo é "a melhor estimativa já publicada sobre quão Marte é habitável para os micróbios terrestres"
e uma descoberta significativa, uma vez que a humanidade evoluiu a partir da vida microbiana.
"Não é importante se você quiser descobrir quais são as leis da física e quiser falar com alienígenas inteligentes capazes de
construir naves espaciais", brincou.
"Mas, o que é relevante aqui se refere às origens da vida e à probabilidade de que a vida comece em outros planetas".
O Curiosity Rover, da NASA, o maior e mais sofisticado robô explorador já construído, está a caminho de Marte, onde deve pousar
em agosto de 2012.
Ele é equipado com um feixe de raios laser para pulverizar rochas e um kit de ferramentas para analisar seu conteúdo, bem como
um braço mecânico, uma perfuratriz, câmeras e sensores que o habilitam a enviar informações sobre o clima e a radiação atmosférica
de Marte.
O Curiosity deve pousar na cratera Gale, perto do equador marciano, escolhida por sua montanha de sedimentos de 5 km de altitude,
que se espera que vá revelar pistas sobre o passado úmido do planeta.
Lineweaver lamentou que a missão da NASA não tenha a capacidade de escavar em profundidades suficientes para encontrar a vida que
seu estudo previu em modelagens, mas o Curiosity seria capaz de examinar na cratera "pelo menos as margens" do que um dia foram as
profundezas marcianas.
Fonte : UOL Ciência e Súde, 12/12/2011
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