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342.   Uma Grande Surpresa nos Limites do Sistema Solar


  As sondas Voyagers da NASA estão verdadeiramente indo onde ninguém já foi antes (Nota 1). Deslizando silenciosamente em direção às estrelas, a 9 bilhões de milhas (14,5 bilhões de quilômetros) da Terra, elas estão irradiando de volta (Nota 2) novidades sobre os mais distantes, inexplorados rincões do Sistema Solar.

  Os cientistas da missão dizem que as sondas acabaram de mandar de volta novidades muito grandes.

  É borbulhante lá fora.

  De acordo com modelos de computador, as bolhas são grandes, com cerca de 100 milhões de milhas de diâmetro (160,9 milhões de quilômetros), de modo que as velozes sondas levam semanas para atravessar somente uma delas. A Voyager 1 entrou na “zona de espuma” por volta de 2007, e a Voyager 2 a seguiu cerca de um ano depois. No início os pesquisadores não sabiam o que as Voyagers estavam detectando – mas agora eles têm uma boa idéia.

  “O campo magnético do Sol se entende por todo o caminho até o limite do Sistema Solar”, diz Opher. “Porque o Sol gira, seu campo magnético se torna contorcido e pregueado, um pouquinho como um vestido de bailarina. Longe, bem longe do Sol, onde as Voyagers estão agora, as dobras do vestido se agrupam”. 

  Quando um campo magnético se torna severamente dobrado como este, coisas interessantes podem acontecer. Linhas de força magnética se entrecruzam, e “reconectam” (Reconecção magnética é o mesmo processo de energização na origem das explosões solares). As dobras aglomeradas do vestido reorganizam-se a si mesmas, algumas vezes explosivamente, em “espuma” de bolhas magnéticas.

  “Nós nunca esperamos encontrar tal “espuma” no limite do Sistema Solar, mas ela está lá !” diz o colega de Opher, o físico Jim Drake, da Universidade de Maryland.

  Teorias datando dos anos 1950 previram um cenário muito diferente : Supunha-se que o distante campo magnético do Sol se encurvaria em arcos relativamente graciosos, eventualmente dobrando-se para dentro até reencontrar o Sol. As bolhas atuais parecem ser independentes e substancialmente desconectadas do campo magnético geral do Sol.

  Leituras dos sensores de partículas energizadas sugerem que as Voyagers estão ocasionalmente mergulhando para dentro e para fora da “espuma” – então deve haver regiões onde as velhas idéias ainda valem. Mas não há dúvida de que os velhos modelos sozinhos não podem explicar o que as Voyagers encontraram.

  Diz Drake : “Ainda estamos tentando acostumar nossas mentes às implicações destas descobertas”.

  A estrutura do campo magnético distante do Sol – “espuma” vs “não-espuma” – é de importância científica crucial porque define como interagimos com o resto da galáxia. Os pesquisadores chamam a região onde as Voyagers estão agora de “o envoltório solar” (the heliosheath). É essencialmente a fronteira entre o Sistema Solar e o resto da Via Láctea. Montes de coisas tentam atravessar – nuvens interestelares, nós de magnetismo galáctico, raios cósmicos e assim por diante. Encontrarão estes intrusos um tumulto de magnetismo borbulhante (a nova visão) ou graciosas linhas de força magnética originando-se do Sol (a antiga visão) ?

  O caso dos raios cósmicos é ilustrativo. Raios cósmicos galácticos são partículas subatômicas aceleradas até próximo à velocidade da luz por distantes buracos negros e explosões de supernovas. Quando estas microscópicas balas de canhão tentam entrar no Sistema Solar, têm que lutar através do campo magnético do Sol para alcançar os planetas no interior.

  “As bolhas magnéticas parecem ser nossa primeira linha de defesa contra raios cósmicos”, assinala Opher. “Nós não descobrimos ainda se isto é uma coisa boa ou não”.

  Por um lado, as bolhas pareceriam ser uma blindagem muito porosa, deixando passar muitos raios cósmicos através dos intervalos. Por outro lado, os raios cósmicos poderiam ser aprisionados dentro das bolhas, o que tornaria de fato a “espuma” uma blindagem muito boa.

  Por enquanto, a maior parte da evidência para as bolhas vem das medições de partículas energizadas e fluxo das Voyagers. Provas também podem ser obtidas das observações de campo magnético das Voyagers e alguns destes dados são também muito sugestivos. Entretanto, porque o campo magnético é tão fraco, os dados tomam muito tempo para serem analisados com o cuidado apropriado. Assim, está em andamento a decifração das assinaturas magnéticas das bolhas nos dados das Voyagers.

  “Nós provavelmente descobriremos qual hipótese é correta conforme as Voyagers avancem mais profundamente na “espuma” e aprendamos mais acerca de sua organização”, diz Opher. “Isto é só o começo, e eu prevejo mais surpresas adiante”.

Fonte : Centro Goddard de Vôo Espacial da NASA (Dr. Tony Phillips), 09/06/2011

Nota 1 : “Going where no one has gone before”, trata-se de uma alusão à série “Jornada nas Estrelas”

Nota 2 : A esta distância os sinais de rádio levam mais de treze horas para alcançar a Terra



Bolhas magnéticas no limite do Sistema Solar têm cerca de 100 milhões de milhas (160,9 milhões de quilômetros) de diâmetro – similar à distância entre a Terra e o Sol.
1 AU = 1 Unidade Astronômica = distância média Terra-Sol
Crédito : NASA

Vista antiga e nova do envoltório solar (heliosheath). As espirais vermelhas e azuis são linhas de campo magnético dos modelos ortodoxos curvadas graciosamente. Novos dados das Voyagers adicionam uma “espuma” magnética ao conjunto.
Crédito : NASA

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