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306.   Gravidade Terrestre Revelada Com Detalhamento Sem Precedentes


  Depois de exatos dois anos em órbita, o satélite GOCE (Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer = Explorador do Campo Gravitacional e Circulação dos Oceanos em Estado Permanente) da Agência Espacial Européia (ESA) reuniu dados suficientes para mapear a gravidade da Terra com precisão insuperável. Os cientistas agora têm acesso ao mais acurado modelo do “geóide” jamais produzido, o que aprofundará nosso entendimento de como a Terra trabalha.

  O novo geóide foi revelado hoje no Quarto Seminário Internacional de Usuários do GOCE realizado na Technische Universität München em Munique, Alemanha. Representantes da mídia e cientistas de todo o mundo foram presenteados com a melhor imagem atual da gravidade global.

  O geóide é a superfície de um oceano global ideal com ausência de marés e correntes, modelado somente pela gravidade. É uma referência crucial para a medição da circulação oceânica, mudanças no nível do mar e dinâmica dos gelos – todos afetados por mudanças climáticas.

  O professor Reiner Rummel, ex-diretor do Instituto para Geodésia Astronômica e Física na Technische Universität München, disse, “Vemos um fluxo contínuo de excelentes dados gradiométricos chegando do GOCE. A cada novo ciclo de dois meses, nosso modelo GOCE de campo gravitacional vai ficando melhor e melhor”.

  “Agora é chegado o tempo para usar os dados do GOCE em ciência e suas aplicações. Eu estou particularmente excitado com os primeiros resultados oceanográficos”.

  “Eles mostram que o GOCE nos dará padrões dinâmicos topográficos e de circulação dos oceanos com qualidade e resolução sem precedentes. Estou confiante em que estes resultados ajudarão a aperfeiçoar nosso entendimento da dinâmica dos oceanos do mundo”.

  O seminário de dois dias fornecerá à comunidade científica as mais recentes informações sobre a performance do satélite e detalhes sobre dados disponíveis e serviços para os usuários.

  Os participantes também estarão discutindo como o geóide GOCE trará avanços nos estudos sobre o oceano e clima, e melhorará nosso conhecimento da estrutura interna da Terra.

  Por exemplo, os dados gravitacionais do GOCE estão ajudando a desenvolver um conhecimento mais profundo do processo que causa terremotos, como o evento que recentemente devastou o Japão.

  Como este terremoto foi causado pelo movimento de placas tectônicas sob o oceano, o movimento não pode ser observado diretamente do espaço. Entretanto, os terremotos criam “assinaturas” nos dados gravitacionais, que podem ser usadas para se entender os processos que levam a estes desastres naturais e finalmente ajudar a predizê-los.

  O satélite GOCE foi lançado em março de 2009 e agora coletou mais de 12 meses de dados gravitacionais.

  Volker Liebig, diretor dos Programas de Observação da Terra, da ESA, disse, “Beneficiando-se de um período com atividade solar excepcionalmente baixa, o GOCE ficou apto a permanecer numa órbita baixa e conseguiu cobertura seis meses antes do programado.

  “Isto também significa que ainda temos combustível para continuar medindo a gravidade até o fim de 2012, dobrando assim a vida da missão e adicionando ainda mais precisão ao geóide GOCE”.

  O GOCE alcançou muitas “primeiras realizações” na observação da Terra. Seu gradiômetro – seis acelerômetros altamente sensíveis medindo a gravidade em 3D – é o primeiro no espaço.

  Ele orbita na mais baixa altitude de qualquer satélite de observação para obter os melhores dados sobre a gravidade da Terra. O projeto deste elegante satélite de uma tonelada é único.

  Adicionalmente, o GOCE usa um inovativo motor de íons que produz forças diminutas para compensar qualquer arrasto que o satélite experimente enquanto sua órbita atravessa a rarefeita parte superior da atmosfera da Terra.

  O professor Liebig aduziu, “Poderíamos dizer que, no início de sua concepção, o GOCE parecia mais com ficção científica. Agora o GOCE demonstrou claramente que ele é uma missão estado-da-arte”.

  Rune Floberghagen, administrador da missão GOCE da ESA, notou “Essa é uma etapa altamente significativa para a missão. Agora olhamos para adiante, para os meses vindouros, quando dados adicionais acrescentarão precisão ao geóide GOCE, beneficiando mais ainda nossos usuários de dados”.

Fonte : Agência Espacial Européia, 31/03/2011

Nota 1 : Surpreendentemente, não encontramos no site da ESA qualquer referência ao código de cores utilizado neste geóide. A aparência irregular se deve ao fato de que a ESA colocou em escala as variações do campo gravitacional registradas pelo GOCE. A cor azul escura representaria então o menor valor negativo, e a cor amarela o maior valor positivo.






























O elegante design aerodinâmico do GOCE imediatamente o coloca à parte da maioria dos outros satélites. Este satélite sem igual, de cinco metros de comprimento e uma tonelada, não tem nenhuma das partes móveis usuais. Todo o satélite é um único dispositivo composto medidor de gravidade. Pode ser visto como uma espaçonave octogonal rígida, sem partes móveis.

Imagem baseada em dados de novembro e dezembro/2009. O GOCE registra as pequenas VARIAÇÕES do campo gravitacional da Terra, por este motivo é que aparecem valores negativos. Compare o valor mínimo (em azul escuro) no Oceano Índico, e os máximos (em vermelho) ao norte da Austrália e no Atlântico Norte, com o mínimo (em azul escuro) e máximos (em amarelo) do geóide.

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