267. Método de Busca a Planetas Finalmente Tem Sucesso
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Uma ferramenta proposta há muito tempo para buscar planetas alcançou seu primeiro êxito – um planeta tipo
Júpiter orbitando uma das menores estrelas conhecidas.
A técnica, chamada astrometria, foi tentada pela primeira vez 50 anos atrás para procurar planetas fora do
nosso sistema solar, chamados exoplanetas. Ela envolve a medição precisa dos movimentos da estrela no céu
enquanto um planeta invisível puxa-a para trás e para frente. Mas o método requer medidas muito precisas
durante longos períodos de tempo, e até agora, tinha falhado em revelar quaisquer exoplanetas.
Uma equipe de dois astrônomos do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, em Pasadena, Califórnia, esteve
montando durante os últimos 12 anos um instrumento de astrometria no telescópio do Observatório Palomar perto
de San Diego. Depois de observações cuidadosas e intermitentes de 30 estrelas, a equipe identificou um novo
exoplaneta em volta de uma delas – o primeiro a ser descoberto orbitando uma estrela, usando astrometria.
“Esse método é ótimo para encontrar sistemas solares de configuração similar ao nosso que podem abrigar outras
Terras”, disse o astrônomo Steven Pravdo do JPL, autor principal do estudo sobre os resultados, a ser publicado
no Astrophysical Journal. “Achamos um planeta tipo Júpiter orbitando no mesmo lugar relativo que o nosso Júpiter,
somente sua estrela é muito menor. É possível que essa estrela também possua planetas rochosos internos. E desde
que mais de sete em cada dez estrelas são pequenas como essa, isso poderia significar que planetas são mais
comuns do que pensávamos”.
A descoberta confirma que a astrometria pode ser uma poderosa técnica de busca de planetas tanto para telescópios
em terra como no espaço. Por exemplo, uma técnica similar seria usada pela SIM Lite (SIM = Space Interferometry
Mission, ou SIM Planet Quest), um conceito da NASA para uma missão espacial que está sendo explorado atualmente.
O exoplaneta recém-descoberto, chamado VB 10b, está distante cerca de 20 anos-luz, na constelação Aquila. É um
gigante gasoso, com massa de seis vezes a de Júpiter, e uma órbita longe o bastante de sua estrela para justificar
o nome “Júpiter frio”, similar ao nosso. Essa órbita dista 50 milhões de quilômetros da estrela e é completada em
nove meses. Em realidade, o próprio calor interno do planeta lhe forneceria uma temperatura como a da Terra.
A estrela por sua vez, chamada VB 10, é pequena. É o que conhecemos como uma anã-M e tem somente 1/12 vezes a massa
do nosso Sol, grande apenas o suficiente para fundir átomos no seu núcleo e brilhar com luz estelar. Durante anos, a
VB 10 foi a menor estrela conhecida – agora ela tem um novo título : a menor estrela conhecida que abriga um planeta.
De fato, embora a estrela seja mais massiva que o planeta recém-descoberto, os dois corpos poderiam ter a mesma
circunferência.
Porque a estrela é tão pequena, seu sistema planetário poderia ser uma miniatura, uma versão em escala reduzida do
nosso próprio. Por exemplo, VB 10b, embora considerado um Júpiter frio, está localizado tão longe de sua estrela quanto
Mercúrio está do Sol. Qualquer planeta rochoso do tamanho da Terra que possa ser encontrado nas vizinhanças poderia
orbitar ainda mais perto.
“Alguns outros exoplanetas orbitando estrelas anãs-M maiores são também similares ao nosso Júpiter, fazendo essas
estrelas terreno fértil para futuras buscas de novas Terras”, disse Stuart Shaklan, co-autor com Pravdo e cientista do
instrumento SIM Lite no JPL. “Astrometria é mais bem adequada para encontrar Júpiteres frios em volta de todo tipo de
estrelas, e assim achar mais sistemas planetários estruturados como o que habitamos”.
Duas a seis vezes por ano, durante os últimos 12 anos, Pravdo e Shaklan fixaram seu instrumento de Pesquisa Estelar de
Planetas no telescópio Hale de cinco metros do Palomar para procurar por planetas. O instrumento, que tem um dispositivo
de registro de 16 megapixels acoplado, ou CCD (Charge-Coupled Device), pode detectar mudanças de minutos na posição das
estrelas. O planeta VB 10b, por exemplo, faz sua estrela oscilar uma pequena fração de grau. Detectar essa oscilação é
equivalente a medir a espessura de um fio de cabelo humano a três quilômetros de distância.
Outras técnicas de busca de planetas com base em terra de amplo uso incluem velocidade radial e método do trânsito.
Como a astrometria, a velocidade radial detecta a oscilação de uma estrela, mas ela mede alterações Doppler na luz da
estrela causadas pelo movimento para mais perto e mais longe de nós. O método do trânsito procura por quedas no brilho da
estrela quando planetas em órbita passam na sua frente e bloqueiam a luz. A missão espacial Kepler da NASA, que começa a
busca por planetas no dia 12 de maio, usará o método do trânsito para procurar mundos tipo Terra em volta de estrelas
similares ao nosso Sol.
“Essa é uma descoberta excitante porque mostra que planetas podem ser encontrados em volta de estrelas extremamente
leves”, disse Wesley Traub, o cientista chefe do Programa da NASA para Exploração de Exoplanetas no Laboratório de
Propulsão a Jato (JPL). “Isso é uma dica de que a natureza gosta de formar planetas, mesmo em volta de estrelas muito
diferentes do Sol”.
Fonte : NASA, 28/05/2009
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Concepção artística mostrando a menor estrela conhecida que possui um planeta.
Crédito : NASA / JPL-Caltech
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Esse diagrama compara nosso sistema solar com o sistema da estrela VB 10, ambos na mesma escala relativa.
O círculo vermelho visto no centro do sistema VB 10 mostra quão grande é a oscilação da estrela. Como o
nosso Sol é mais massivo que VB 10, seus planetas não causam oscilação comparável.
Crédito : NASA / JPL-Caltech
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