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Quatro espécies desconhecidas de polvo cujo veneno permanece efetivo a temperaturas abaixo de zero foram descobertas por
pesquisadores, segundo nota divulgada pela Universidade de Melbourne (Austrália).
Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo peritos da Universidade de Melbourne, da Universidade De Tecnologia e
Ciência da Noruega e da Universidade de Hamburgo, é responsável pela descoberta, a qual, de acordo com a nota, pode
impulsionar “significativamente o avanço do nosso entendimento das propriedades do veneno como um recurso potencial para o
desenvolvimento de remédios.”
“Esse é o primeiro estudo que coletou polvos venenosos da Antártida e confirmou que essas criaturas adaptaram seu veneno
para atuar em temperaturas abaixo de zero”, disse o chefe da equipe Dr. Bryan Fry do Instituto Bio21 da Universidade da
Austrália. “A próxima etapa é descobrir que truques bioquímicos eles usaram”.
De acordo com Fry, os cientistas descobriram duas novas toxinas no veneno dos polvos da Antártida, incluindo pequenas
proteínas “com atividades muito intrigantes” que “são potencialmente úteis no projeto de drogas...Um entendimento da
estrutura e modo de ação do veneno encontrado em todos os polvos pode ajudar no projeto de drogas para atuar no controle
da dor, alergias e câncer”, ele disse.
Fry e seus colegas fizeram suas descobertas durante uma expedição de 2007 na Antártida, que demorou seis semanas. 203
polvos foram coletados como parte de um censo da vida marinha na Antártida e enviados para o Museu Vitória para fins de
pesquisa e o veneno foi armazenado na Universidade de Melbourne. Seu DNA foi seqüenciado.
As descobertas foram publicadas na Toxicon, revista oficial da Sociedade Internacional de Toxicologia (IST), embora
a nota divulgada informe que eles planejam continuar estudando o veneno.
A temperatura superficial das águas da Antártida varia de -2 a -4 graus, mas alguns dos polvos foram encontrados a mais de
um quilômetro de profundidade onde as águas podem ser muito mais frias. As glândulas de veneno do polvo se localizam atrás
dos olhos e o veneno é injetado através do bico quando ele morde a presa, um peixe por exemplo.
“Pressões evolucionárias seletivas mudaram lentamente seu veneno, o que lhes permitiu se espalharem em águas mais e mais
frias e eventualmente prosperar em águas super-frias”, disse Fry para Tan Ee Lyn da Reuters numa entrevista por telefone.
“Queremos ver que novos componentes frios e maravilhosos podemos encontrar nesses venenos que possam ser úteis
no desenvolvimento de drogas”.
“A Natureza projetou uma perfeita máquina de matar... eles tem tal atividade tão incrivelmente apurada que deve haver um
meio de aproveitá-la. Adaptá-la ou modificá-la, ou usar apenas uma pequena parte”, ele aduziu.
O Dr. Fry, cuja pesquisa ano passado revelou que todos os polvos são venenosos, disse que o próximo passo será comparar o
veneno dos polvos tropicais com o de seus parentes da Antártida para estabelecer o que faz o veneno diferente.
A capacidade das enzimas no veneno de continuar atuando mesmo em águas congelantes poderia ter uma gama de aplicações para
humanos, desde o desenvolvimento de remédios até detergentes de limpeza para água fria.
Fonte : University of Melbourne, 22/07/2010
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