A missão PR-15 2010 da ESA produziu sua primeira imagem de todo o céu. Ela não só proporciona uma nova visão do modo como
estrelas e galáxias se formam, mas também nos diz como o próprio Universo nasceu, após o Big Bang.
“Este é o momento para o qual o Plank foi concebido”, diz o Diretor de Ciência e Exploração Robótica da ESA, David
Southwood. “Nós não estamos dando a resposta. Estamos abrindo a porta de um Eldorado onde cientistas podem procurar as
pepitas que levarão a um entendimento mais profundo de como nosso Universo veio a existir e como ele funciona agora. A
imagem em si mesma e sua notável qualidade é um tributo aos engenheiros que construíram e tem operado o Plank. Agora a
colheita científica deve começar.”
Desde as porções mais próximas da Via-Láctea até os mais remotos recantos do espaço e tempo, a nova imagem completa do céu
obtida pelo Planck é um extraordinário baú do tesouro de novos dados para os astrônomos.
O disco principal da nossa Galáxia ocupa o centro da imagem. Bem próximas em destaque estão as volutas de fria poeira
aparecendo abaixo e acima da Via-Láctea. Esta teia galáctica é onde novas estrelas estão sendo formadas, e o Planck
encontrou muitos locais onde estrelas individuais estão alcançando o limiar do nascimento ou apenas começando seu ciclo de
desenvolvimento.
Menos espetacular mas talvez mais intrigante é o fundo pintalgado nas partes superior e inferior. Esta é a “radiação de
microondas cósmica de fundo” (CMBR). É a luz mais antiga no Universo, o remanescente da bola de fogo que deu origem a
nosso Universo 13,7 bilhões de anos atrás.
Enquanto a Via-Láctea nos mostra como o Universo local se apresenta agora, essas microondas nos mostram como o Universo
foi próximo ao tempo de sua criação, antes de haver estrelas ou galáxias. Aqui nós chegamos ao âmago da missão do Plank
para decifrar a partir do padrão de manchas do fundo o que aconteceu naquele Universo primordial.
O padrão de microondas é o registro do cosmos a partir do qual os atuais aglomerados e super-aglomerados de galáxias foram
construídos. As cores diferentes representam minutos de diferença na temperatura e densidade da matéria ao longo do céu.
De algum modo essas pequenas irregularidades evoluíram para regiões mais densas que se tornaram as galáxias de hoje.
A CMBR (radiação de fundo) cobre o céu inteiro mas a maior parte dela está escondida nesta imagem pela emissão da
Via-Láctea, a qual pode ser removida digitalmente dos dados finais de modo a revelar inteiramente o fundo de microondas.
Quando esse trabalho estiver completo, o Planck nos mostrará a mais precisa imagem jamais obtida da radiação de microondas
de fundo. A grande questão será se os dados revelarão a assinatura cósmica do período primordial chamado inflação.
Postulou-se que esse período teve lugar logo após o Big Bang e resultou em enorme expansão do tamanho do Universo em um
intervalo de tempo extremamente curto.
O observatório espacial Planck continua a mapear o Universo. No final da sua missão em 2012, ele terá completado quatro
varreduras completas do céu. O primeiro relatório com dados completos da CMBR está previsto para 2012. Antes dele, o
catálogo contendo objetos individuais em nossa Galáxia e na totalidade das galáxias distantes será apresentado em janeiro
de 2011.
Fonte : ESA News, 05/07/2010
Há um vídeo disponível na página da ESA :
www.esa.int/esaCP/SEMF2FRZ5BG_index_0.html