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123.   Kepler Detecta Atmosfera de um Exoplaneta


  O novo telescópio espacial Kepler da NASA, caçador de exoplanetas, detectou a atmosfera de um planeta gigante gasoso conhecido, demonstrando suas extraordinárias capacidades científicas.

  “Como primeira missão exoplanetária da NASA, o Kepler fez uma dramática entrada na área de caça a planetas”, disse Jon Morse, diretor da Junta da Missão de Ciência da Divisão de Astrofísica na sede da NASA em Washington. “Detectar a atmosfera deste planeta nos primeiros 10 dias de observação foi só um gostinho das coisas que virão. A caça aos planetas engrenou !”

  Lançado em 6 de março de 2009, da base da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, o Kepler passará os próximos três anos e meio procurando por planetas tão pequenos quanto a Terra, incluindo aqueles cuja órbita está na cálida “zona cachinhos dourados” onde pode haver água. Ele fará isso procurando por quedas periódicas no brilho das estrelas, que ocorrem quando os planetas em órbita transitam (Nota 1), ou passam em frente delas.

  “Quando as curvas de luz de dezenas de milhares de estrelas foram apresentadas à equipe de ciência do Kepler, todos ficaram deslumbrados; ninguém nunca havia visto medidas tão primorosamente detalhadas das variações de luz de tantos diferentes tipos de estrelas”, disse William Borucki, o principal cientista investigador e líder autor do relatório.

  As observações foram coletadas de um planeta chamado HAT-P-7, conhecido por transitar uma estrela localizada a cerca de 1.000 anos luz da Terra. O planeta orbita a estrela em 2,2 dias e está 26 vezes mais perto dela do que a Terra do Sol. Sua órbita, combinada com a massa um tanto maior que a de Júpiter, classifica este planeta como um “Júpiter quente”. Ele está tão perto de sua estrela, que é quente como o avermelhado elemento de aquecimento de um fogão de cozinha.

  O HAT-P-7 era conhecido antes do Kepler voltar sua atenção para ele. As medições do Kepler são tão precisas, entretanto, que mostram algo novo : uma nítida elevação e queda da luz causada pela mudança de fases do planeta, similar às fases da nossa própria Lua. O Kepler pode também ver a luz do planeta se extinguir completamente quando ele passa atrás de sua estrela-mãe. Este fenômeno é chamado “encobrimento”.

  Os novos dados do Kepler podem ser usados para estudar este “Júpiter quente” com detalhes sem precedentes. A duração do encobrimento e a forma e amplitude da curva de luz mostram que o planeta tem uma atmosfera e uma temperatura do lado diurno de cerca de 4.310º Fahrenheit (2.400º C). Pouco deste calor passa para o frio lado noturno. O tempo de encobrimento comparado com o tempo total de trânsito mostra que o planeta tem uma órbita circular. A descoberta da luz deste planeta confirma as predições de pesquisadores e modelos teóricos de que a emissão poderia ser detectada pelo Kepler.

  A variação de brilho observada é 1,5 vezes o que é esperado para o trânsito de um planeta do tamanho da Terra. Embora isso já seja a maior precisão jamais obtida para uma observação desta estrela, o Kepler será ainda mais preciso depois que o desenvolvimento para a missão do software de análise estiver completo.

  O Kepler é uma missão de descoberta da NASA. O Ames Center da NASA é responsável pelo desenvolvimento dos sistemas em terra, operações da missão e análise dos dados científicos. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, dirige o desenvolvimento da missão Kepler. O Ball Aerospace & Technologies Corp. de Boulder, Colorado, foi responsável pelo desenvolvimento do sistema de vôo do Kepler e o Laboratório para Física Atmosférica e Espacial na Universidade do Colorado em Boulder está apoiando as operações da missão.

Fonte : NASA, 06/08/2009

Nota 1 : Chama-se “trânsito” de um planeta quando seu alinhamento permite que ele seja observado atravessando a face de sua estrela-mãe.



Curvas de luz do HAT-P-7 obtidas da superfície e do espaço

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