Home

122.   Planeta Parecido com a Terra era Gigante Como Saturno


  O objeto mais parecido com a Terra já encontrado fora do Sistema Solar ganhou sua forma de um jeito inusitado, sugere um estudo apresentado numa reunião da Sociedade Astronômica Americana em Washington.

  CoRoT-7b, o menor exoplaneta conhecido, é cerca de 70% maior que a Terra. Agora, uma equipe liderada por Brian Jackson no Centro de Vôo Espacial Godard da NASA descobriu que o planeta pode ser o remanescente rochoso de um gigante gasoso cuja atmosfera evaporou-se devido à grande proximidade com sua estrela.

  “Os primeiros planetas detectados quinze anos atrás fora do nosso Sistema Solar, eram enormes gigantes gasosos em órbitas muito próximas de suas estrelas. Nós os chamamos “Júpiteres quentes”, e eles não eram o que os astrônomos esperavam achar”, disse Brian Jackson. “Agora, estamos começando a ver objetos como a Terra em órbitas similares. Poderia haver uma conexão ?”

  Descoberto em fevereiro de 2009 pelo satélite CoRoT (Convection, Rotation and Planetary Transits), uma missão chefiada pela Agência Espacial Francesa, CoRoT-7b leva 20,4 horas para circular em volta do seu “Sol”, localizado a 480 anos-luz de distância na constelação Monoceros. Os astrônomos acreditam que essa estrela tem 1,5 bilhão de anos de idade, cerca de um terço da idade do nosso Sol.

  “CoRoT-7b está aproximadamente 60 vezes mais perto de sua estrela do que a Terra (Nota 1), de modo que a estrela aparece 360 vezes maior do que o Sol em nosso céu”, disse Jackson. Em conseqüência, a superfície do planeta sofre extremo aquecimento, que pode alcançar 3.600º Fahrenheit (2.000º C) no lado diurno. O tamanho de CoRoT-7b (70% maior que a Terra) e massa (4,8 vezes a da Terra) indicam que este mundo é provavelmente constituído de materiais rochosos.

  “Mas com uma temperatura tão alta no lado diurno, qualquer superfície rochosa voltada para a estrela deve estar fundida, e o planeta não pode reter nada mais que uma tênue atmosfera, mesmo que de rocha vaporizada”, diz Jackson. Ele estima que o aquecimento solar já deve ter arrancado por vaporização, material de CoRoT-7b equivalente a várias massas da Terra.

  Com o auxílio de modelos em computador que calculam a perda de massa e mudanças orbitais, os pesquisadores inverteram o relógio do planeta.

  “Há uma relação complexa entre a massa que o planeta perde e a atração gravitacional, que provocam alterações na estrela”, explicou Jackson. Estas alterações gradualmente mudam a órbita do planeta, puxando-o para o interior em um processo chamado migração orbital. Mas uma proximidade maior da estrela aumenta a perda de massa, o que por sua vez retarda a taxa de mudança orbital.

  Depois de calcular os efeitos opostos da perda de massa e migração orbital, a equipe estimou que, quando se formou, CoRoT-7b poderia ter pesado tanto quanto 100 vezes a Terra – quase o mesmo que Saturno. Naquele tempo ele orbitava sua estrela 50% mais longe do que atualmente.

  Os pesquisadores também mostraram que tanto faz ter começado como um gigante gasoso do porte de Saturno ou como um mundo rochoso, CoRoT-7b provavelmente perdeu várias vezes a massa da Terra desde a sua formação. “Você poderia dizer que, de um jeito ou de outro, este planeta está desaparecendo diante de nossos olhos”, disse Jackson.

  Ele sugere que processos similares tenham influenciado igualmente muitos outros exoplanetas que ficam próximos às suas estrelas. De fato, vários estudos recentes sugerem que muitos outros “Júpiteres quentes” passaram por similar evolução de perda de massa e migração orbital, talvez deixando para trás núcleos remanescentes tais como CoRoT-7b.

  “CoRoT-7b pode ser o primeiro de uma nova classe de planetas – núcleos remanescentes de evaporação”, disse Jackson. Estudar os processos interligados de perda de massa e migração orbital pode ser crucial para elucidar as origens de centenas de planetas quentes similares à Terra, que missões espaciais como o CoRoT e o Kepler da NASA brevemente descobrirão.

  A equipe de pesquisa também inclui Neil Miller e Jonathan Fortney da Universidade da California, em Santa Cruz; Rory Barnes do Virtual Planet Lab da Universidade de Washington, em Seattle; Sean Raymond do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux, França; e Richard Greenberg do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, em Tucson.

Fonte : NASA, 06/01/2010

Nota 1 : São apenas 2,5 milhões de quilômetros. CoRoT-7b está cerca de 23 vezes mais perto de sua estrela do que Mercúrio do Sol !



Concepção artística do nascer do "Sol" sobre CoRoT-7b

<p align="center"> <font face="tahoma" size=4> <a href="Menu_alternativo.htm" target="_top"> <font color="ff0000">Voltar para o Menu Alternativo</font> </a> </font> </p>