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83.   O Buraco Negro no Centro da Via Láctea


  Os astrônomos sabem há muito tempo que o supermassivo buraco negro no centro da galáxia Via Láctea, conhecido como Sagitário A* (ou abreviadamente Sgr A*), é um particularmente fraco devorador de matéria. O combustível para esse buraco negro vem de poderosos ventos emitidos por dúzias de jovens estrelas maciças concentradas nas vizinhanças. Essas estrelas estão localizadas a uma distância relativamente grande de Sgr A*, onde a gravidade do buraco negro é fraca, e deste modo os ventos de alta velocidade são difíceis de serem capturados e absorvidos pelo buraco negro. Os cientistas haviam calculado que Sgr A* poderia consumir apenas cerca de 1% do combustível carregado pelos ventos.

  Entretanto, agora parece que Sgr A* consome ainda menos que o esperado – absorvendo apenas cerca de 1% daquele 1%. Porque ele consome tão pouco ? A resposta pode ser encontrada em um novo modelo teórico desenvolvido com o uso de dados de chapas com exposição muito longa feitas pelo Observatório Chandra de Raios-X da NASA. Este modelo considera o fluxo de energia entre duas regiões em torno do buraco negro : uma região interna próxima ao chamado horizonte de eventos (o limite além do qual até a luz não pode escapar), e uma região externa que inclui a fonte de energia do buraco negro – as estrelas jovens – estendendo-se até um milhão de vezes mais longe. Colisões entre partículas na região interna quente transferem energia a partículas na região externa mais fria por um processo chamado condução. Isto, por sua vez, produz pressão adicional dirigida para fora que faz com que quase todo o gás na região externa escape para longe do buraco negro. O modelo parece explicar bem a forma estendida do gás detectado em volta de Sgr A* através de raios-X, assim como imagens produzidas em outros comprimentos de onda.

  Esta imagem pelo Observatório Chandra do Sgr A* e da região circundante é baseada em dados de uma série de observações com duração aproximada de um milhão de segundos, ou quase duas semanas. Exposição tão prolongada deu aos cientistas uma visão inédita do remanescente da supernova perto de Sgr A* (conhecida como Sgr A Leste) e dos lobos de gás quente estendendo-se por uma dúzia de anos luz de ambos os lados do buraco negro. Esses lobos fornecem evidência de poderosas erupções ocorridas várias vezes nos últimos dez mil anos.

  A imagem também contém vários filamentos misteriosos de raios-X, alguns dos quais podem ser enormes estruturas magnéticas interagindo com jorros de elétrons de alta energia produzidos por estrelas de nêutrons girando rapidamente. Tais formas são conhecidas com nebulosas de vento de pulsar (pulsar wind nebulas).

  Este novo modelo para Sgr A* foi apresentado no 215º encontro da Sociedade Americana de Astronomia em janeiro de 2009 por Roman Shchershakov e Robert Penna da Universidade de Harvard e Frederick K. Baganoff do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.



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