81. Descobertos Cinco Novos Planetas
Telescópio espacial Kepler da NASA descobre seus primeiros cinco exoplanetas
O telescópio espacial Kepler da Nasa, projetado para encontrar planetas similares à Terra na zona habitável de estrelas
como o Sol, descobriu seus primeiros cinco novos exoplanetas, ou planetas além do nosso sistema solar.
A alta sensibilidade do Kepler para planetas tanto pequenos como grandes permitiu a descoberta dos exoplanetas, chamados
Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b. As descobertas foram anunciadas 2ª feira, 4 de janeiro, pela equipe científica do Kepler em
uma reunião com a imprensa durante o encontro da Sociedade Americana de Astronomia em Washington.
“Estas observações contribuem para o nosso entendimento de como os sistemas planetários se formam e evoluem desde os
discos de gás e poeira até chegarem às estrelas e seus planetas”, disse William Borucki do Centro Ames de Pesquisa da
NASA, em Campo Moffett, Califórnia. Borucki é o principal cientista pesquisador da missão. “As descobertas também mostram
que nosso instrumento científico está funcionando bem. As indicações são que o Kepler atingirá todos os seus objetivos
científicos”.
Conhecidos como “Júpiteres quentes” devido às suas grandes massas e temperaturas extremas, os novos exoplanetas variam em
tamanho desde um similar à Netuno até os maiores que Júpiter. Estão em órbitas percorridas em 3,3 a 4,9 dias. Suas
temperaturas estimadas estão numa faixa de 2.200 a 3.000 graus Fahrenheit (1.204 a 1.649 graus Celsius), mais quentes que
lava derretida e quentes demais para a vida tal como a conhecemos. Todos os cinco exoplanetas orbitam estrelas mais quentes
e maiores que o sol da Terra.
“É gratificante ver as primeiras descobertas do Kepler saindo da linha de montagem”, disse Jon Morse, diretor da Divisão
de Astrofísica no Quartel-General da NASA em Washington. “Nós esperávamos que os planetas tipo Júpiter em órbitas curtas
fossem os primeiros planetas que o Kepler poderia detectar. É só uma questão de tempo antes que as observações do Kepler
levem a planetas menores em órbitas com períodos maiores, chegando cada vez mais perto da descoberta do primeiro análogo
da Terra”.
Lançado em 6 de março de 2009, da base da Força Aérea de Cabo Canaveral na Flórida, a missão Kepler observa continuamente
e simultaneamente mais de 150.000 estrelas. O fotômetro do Kepler também já mediu centenas de possíveis sinais de planetas
que estão sendo analisados.
Embora muitos desses sinais possam ser de algum outro objeto que não um planeta, tal como pequenas estrelas orbitando
estrelas maiores, observatórios em terra confirmaram a existência dos cinco exoplanetas. As descobertas são baseadas em
aproximadamente seis semanas de análise para validação dos dados coligidos desde que as operações científicas começaram em
12 de maio de 2009.
O Kepler procura por sinais de planetas medindo quedas no brilho das estrelas. Quando planetas passam em frente de suas
estrelas (ou transitam) do ponto de vista da Terra, eles periodicamente bloqueiam a luz. O tamanho do planeta pode ser
derivado da intensidade da queda no brilho. A temperatura pode ser estimada pelas características da estrela que o planeta
orbita e o período orbital.
O Kepler continuará suas operações científicas até pelo menos novembro de 2012. Ele procurará por planetas tão pequenos
como a Terra, incluindo aqueles que orbitam estrelas em uma região com temperatura favorável onde água em estado líquido
possa existir em suas superfícies. Como o trânsito (ver Nota 1) de planetas na zona habitável de estrelas como o Sol
ocorre aproximadamente uma vez por ano e são requeridos três trânsitos para verificação, estima-se em pelo menos três anos
o tempo necessário para localizar e confirmar um planeta tipo Terra.
De acordo com Borucki, a busca contínua e de longa-duração do Kepler deverá no futuro aumentar grandemente a habilidade
dos cientistas em determinar as distribuições de tamanho dos planetas e seus períodos orbitais. “As descobertas de hoje
são uma contribuição significativa para aquele objetivo”, disse Borucki. “As observações do Kepler nos dirão se há muitas
estrelas com planetas que poderiam abrigar a vida, ou se nós podemos estar sós na nossa galáxia”.
O Kepler é a décima missão de descoberta da NASA. O Ames Center da NASA é responsável pelo desenvolvimento dos sistemas
em terra, operações da missão e análise dos dados científicos. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena,
Califórnia, dirige o desenvolvimento da missão Kepler. O Ball Aerospace & Technologies Corp. de Boulder, Colorado, foi
responsável pelo desenvolvimento do sistema de vôo do Kepler e o Laboratório para Física Atmosférica e Espacial na
Universidade do Colorado em Boulder está apoiando as operações da missão.
As observações a partir da Terra necessárias para confirmar as descobertas foram feitas pelos telescópios Keck I no Havaí;
Hobby-Ebberly e Harlan J. Smith de 2,7m no Texas; Hale e Shane na Califórnia; WIYN, MMT e Tillinghast no Arizona; e Nordic
Optical nas Ilhas Canárias, Espanha.
Nota 1 : O “trânsito” de um planeta acontece quando seu alinhamento permite que ele seja observado atravessando a
face de sua estrela-mãe.
Ilustração mostra um planeta tipo Júpiter que orbita muito perto de sua flamejante e quente estrela
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