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Método Científico
"Só confie numa testemunha quando ela fala de questões em que não se acham envolvidos nem o seu interesse próprio,
nem as suas paixões, nem os seus preconceitos, nem o amor pelo maravilhoso. No caso de haver esse envolvimento,
requeira evidência corroborativa em proporção exata à violação da probabilidade provocada pelo seu testemunho."
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Thomas Henry Huxley (1825-1895), biologista inglês, um dos primeiros a apoiar a teoria da evolução de Darwin
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Galileu Anticristo - Uma Biografia
(veja a página "Livros Sugeridos")
“O método científico moderno envolve raciocínio e experimento. Para dar um exemplo simples : no início de uma
investigação científica uma idéia é postulada – frequentemente baseada numa visão inspirada. Em seguida isso é
desenvolvido numa hipótese por meio do raciocínio puro – um processo chamado de “método indutivo”. As conseqüências
práticas dessa hipótese devem então ser deduzidas matematicamente, e a idéia é testada de maneira experimental. Se há
discrepâncias entre a hipótese e os resultados experimentais ou as observações, a hipótese deve ser alterada e os
experimentos, repetidos até que haja concordância entre raciocínio e experiência; se não houver, a idéia é descartada.
Quando o raciocínio e a verificação prática por fim concordam, a hipótese é promovida ao status de teoria. Pode, então,
ser usada para tentar explicar um panorama mais generalizado que o conceito original e talvez venha a durar muitos anos.
No entanto, crucialmente, jamais é considerada a única teoria que pode se aplicar aos fatos, e a boa ciência permite
que novas idéias sejam introduzidas e possam destruir velhas teorias ou demandar mudanças radicais.”
Asimov Explica
(Isaac Asimov, 1973)
"Poderíamos dar uma versão idealizada do método científico :
1. Reconhecer que existe um problema - pode-se perguntar, por exemplo, por que o movimento dos corpos é acelerado em
certas condições e retardado em outras.
2. Selecionar e desprezar aspectos não essenciais ao problema. Por exemplo, o cheiro de um objeto é irrelevante ao
seu movimento.
3. Coletar todos os dados disponíveis referentes ao problema. Na Antiguidade e na Idade Média, essa atitude equivalia a
apenas uma observação perspicaz da natureza, tal qual era. Com o advento dos Tempos Modernos, surgiu a noção de que o
homem poderia intervir no curso da natureza, podendo planejar uma situação na qual os objetos fossem levados a se comportar
de forma que os dados obtidos estivessem relacionados com o problema em questão. Esferas poderiam ser postas a rolar sobre
planos inclinados, variando-se ora o ângulo de inclinação do plano, ora a sua superfície, ora o tamanho das esferas, etc.
Tais situações deliberadamente planejadas constituem os experimentos e, devido ao papel central que desempenham na Ciência
Moderna, esta é, por vezes, denominada "Ciência Experimental", a fim de distingui-la da ciência dos gregos antigos.
4. De posse desses dados, formular uma generalização provisória que os descreva do modo mais simples possível - algum
enunciado breve ou alguma relação matemática. Eis uma hipótese.
5. A hipótese permite prever resultados de experimentos que sem ela nem mesmo se teria pensado em realizar. Realizá-los e
verificar a validade da hipótese.
6. Caso os experimentos correspondam ao esperado, a hipótese é fortalecida e talvez passe a ser considerada uma teoria ou
mesmo uma "lei natural".
Claro está que nenhuma teoria ou lei natural é estabelecida de maneira conclusiva. O processo acima descrito repete-se
continuamente. Mediante novos dados, novas observações e novos experimentos, as leis naturais mais antigas vão sendo
constantemente suplantadas por leis mais gerais, que não só explicam tudo o que as anteriores explicavam, porém vão mais
além.
Como já foi mencionado, essa é uma versão idealizada do método científico. Na prática, os cientistas não necessitam
segui-la como a um conjunto de "receitas" científicas e, geralmente, não o fazem.
Fatores tais como intuição, rápidos vislumbres mentais (insights) ou mera sorte têm, mais do que quaisquer outros,
um papel a desempenhar. A história da ciência é pródiga em exemplos de cientistas que tiveram repentinas e inspiradas
idéias a partir de dados bastante inadequados e de pouca ou nenhuma base experimental, chegando a verdades úteis que
talvez levassem anos para serem atingidas, seguindo-se passo a passo a versão idealizada do método científico."
SuperFreakonomics
- Capítulo 3 (veja a página "Livros Sugeridos")
“Os experimentos de laboratório são, evidentemente, os pilares das ciências físicas, e assim tem sido desde quando Galileo
Galilei testou sua teoria da aceleração, por meio de uma esfera de bronze que deixou rolar sob a ação da gravidade num
plano inclinado de madeira. Galileu acreditava - corretamente, como se veio a constatar - que uma pequena criação como a
dele poderia contribuir para a melhor compreensão das mais importantes criações conhecidas pela humanidade : as forças
terrestres, a dinâmica celeste e o funcionamento da vida humana em si.
Mais de três séculos depois, o físico Richard Feynman reafirmou o primado dessa crença. "O teste de todo o conhecimento é
a experimentação", disse. "A experimentação é o único "juiz" da verdade científica". A eletricidade que você usa, o
remédio que você engole contra o colesterol, a página, tela ou alto-falante por meio do qual você toma conhecimento destas
palavras - tudo é produto de muita experimentação."
O Mundo Assombrado Pelos Demônios
- Carl Sagan - Capítulo 4 (veja a página "Livros Sugeridos")
“Eu me interessei pela possibilidade de vida extraterrestre desde a infância, desde muito antes de ouvir falar de discos
voadores. Continuei fascinado por muito tempo depois que diminuiu meu primeiro entusiasmo pelos UFOs - quando compreendi
melhor esse capataz implacável chamado método científico : tudo depende da questão da evidência. Sobre um tema tão
importante, a evidência deve ser irrefutável. Quanto mais desejamos que seja verdade, mais cuidadosos temos que ser.
Nenhum depoimento de testemunhas é bom o suficiente. As pessoas cometem erros. As pessoas fazem brincadeiras. As pessoas
exageram a verdade para conseguir dinheiro, atenção ou fama. As pessoas de vez em quando compreendem errado o que vêem. As
pessoas às vezes até vêem coisas que não existem."
A Escalada do Monte Improvável
- Richard Dawkins – Capítulo 10 (veja a página “Livros Sugeridos”)
O capítulo é dedicado à extraordinária simbiose entre as figueiras e as vespas-do-figo.
“...Os fatos que enumerei brevemente são o produto de muitos anos de trabalho meticuloso e bem planejado : um trabalho que
merece a honra de ser chamado “científico”, não por ter empregado aparelhagem elaborada e cara, mas por ter sido
disciplinado por certa atitude mental. Muito do que foi feito para decifrar a história da polinização do figo pelas vespas
envolveu fatiar o figo e observar seu interior. Mas “observar” passa uma impressão de passividade. Não foi uma observação
passiva, mas uma sessão de registros cuidadosamente planejada que resultou em inúmeros cálculos. Não colha e fatie os
figos simplesmente. Faça uma amostragem sistemática de figos originários de um grande número de árvores, de alturas
específicas e em determinadas estações do ano. Mande exemplares para que sejam identificados em museus através de
comparação detalhada com padrões reconhecidos internacionalmente. Entretanto, não faça medidas e cálculos
indiscriminadamente e sem objetivo algum. Faça-o para testar hipóteses estabelecidas. E quando for avaliar se as medições
e cálculos correspondem às expectativas de sua hipótese, esteja atento, através de detalhes calculados, para a
possibilidade de seus resultados terem sido obtidos ao acaso e não significarem nada.”
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