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"Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa
que temos."
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Albert Einstein (1879-1955)
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A Grande História da Evolução (Richard Dawkins, 2004)
“Muitas são as incertezas que temos na ciência. Onde ela sai ganhando de visões do mundo alternativas é no fato de que
conhecemos nossa incerteza, frequentemente podemos medir sua magnitude e trabalhamos com otimismo para reduzi-la."
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"Se fosse possível conhecer a verdade, a essência das coisas [...] de um modo direto e imediato, não haveria necessidade
das ciências."
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Jacob Sagh Bazarian, filósofo (1919-2003)
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O Livro de Ouro da Evolução (Carl Zimmer,1998)
O texto a seguir foi tirado da Introdução, escrita por Stephen Jay Gould, do Museu de Zoologia Comparativa, Universidade
de Harvard.
“O objetivo da ciência é duplo: determinar, do melhor modo que possamos, as características empíricas do mundo natural
e descobrir por que o nosso mundo funciona do jeito que funciona, em vez de operar de algum outro modo concebível mas
não realizado, em outras palavras, para especificar fatos e validar teorias. A ciência, como nós profissionais sempre
lembramos, não pode estabelecer verdades absolutas : nossas conclusões devem sempre permanecer tentativas. Mas este
ceticismo saudável não precisa ser levado ao extremo do niilismo, e podemos, com certeza, afirmar que alguns fatos
foram verificados com suficiente confiança para que possamos chamá-los “verdades” em qualquer significado vernacular
da palavra. (Talvez eu não possa ter certeza absoluta de que a Terra é redonda e não chata, mas a forma aproximadamente
esférica do nosso planeta tem sido tão suficientemente bem verificada que eu não preciso dar à “sociedade da terra plana”
um tempo de exposição igual, ou mesmo qualquer tempo, nas minhas aulas de ciência.) A evolução, conceito organizador
básico de todas as ciências biológicas, tem sido igualmente confirmada até um alto grau e portanto pode ser considerada
como verdadeira ou factual.”
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"A ciência avança mediante respostas provisórias a uma série de questões cada vez mais sutis, que vão cada
vez mais fundo na essência dos fenômenos naturais."
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Louis Pasteur (1822-1895)
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As Regras do Jogo (Ensaio de Issac Asimov, 1970)
Publicado na revista “The Magazine of Fantasy and Science Fiction” da Mercury Press Inc.
O texto a seguir é a parte inicial do ensaio.
“O fato de escrever sobre assuntos de vanguarda torna inevitável que leitores gentis me enviem toda espécie de cartas,
panfletos e livros de vanguarda. Seu material é bem-vindo; leio tudo o que me enviam até onde vale a pena ler. Às vezes,
isto significa que leio tudo e aproveito a leitura; outras vezes, que leio apenas alguns parágrafos.
Não é freqüente, entretanto, que meu ponteiro mental indique o conceito “sem valor”, antes mesmo de começar a leitura do
livro, de fato, já no primeiro parágrafo dos comentários do editor. Mas foi exatamente isto que aconteceu há pouco
tempo.
Recebera um livro que se propunha (de acordo com a carta que o acompanhava) a revelar a verdade sobre a origem do Universo
e denunciar impostores como Newton e Einstein. Devo admitir que a própria carta me deixou meio desesperançado, mas justiça
seja feita. Abri a capa do livro e dei uma olhada no que estava impresso na orelha.
Ali estavam enumeradas algumas das surpreendentes idéias do autor. A primeira era que este “acreditava” que a luz, ao
atravessar grandes distâncias, é gradativamente absorvida, que a extremidade azul do espectro é absorvida em primeiro
lugar e que isso é responsável pelo “deslocamento ao vermelho” que se verifica na luz das galáxias distantes.
Ora, se esta suposição fosse verdadeira, todas as deduções astronômicas baseadas no deslocamento ao vermelho deveriam ser
revisadas, e seria possível que nossos conceitos mais básicos sobre o Universo fossem totalmente alterados. É claro que
eu deveria ter achado tais suposições extremamente excitantes e, consequentemente, ter continuado a leitura.
Mas tal não se deu, pois, tendo lido essa parte da orelha, coloquei o livro de lado. Que mais poderia fazer ? Sob certas
condições, a luz, ao atravessar grandes distâncias, é absorvida ou dispersa, e a luz azul é absorvida ou dispersa em
primeiro lugar; mas isso não tem relação alguma com o deslocamento ao vermelho. Como o autor obviamente não sabe o que
é o deslocamento ao vermelho, qual o valor de suas suposições sobre o assunto ?
Que valor podem ter as suposições de qualquer maneira ? Há uma opinião muito popular entre os cientistas amadores de
que só é necessário ter uma “teoria” para revolucionar a ciência. Na verdade, as “teorias” em si nada mais são que
divertimento intelectual. Para se tornarem mais que isto, devem ser fundamentadas por observações; e, de preferência,
por observações que não só fundamentem a teoria, como também invalidem as teorias opostas.
A ciência, como todos os outros jogos intelectuais, tem suas regras – regras que têm sido aplicadas durante quase quatro
séculos – e os resultados obtidos são evidência ampla de que as regras são boas. Aqueles que quiserem revolucionar a
ciência devem antes aprender as regras, não porque isso os tornará respeitáveis, mas porque, acreditem-me, nunca
revolucionarão a ciência sem elas.
É estranho que, embora ninguém se atreva a sonhar que poderia vencer um grande mestre sem conhecimento das regras
do xadrez, tantos amadores, sem nenhum ou com muito pouco treinamento científico, estejam convencidos de que podem
apontar as falhas “óbvias” das teorias de Einstein.
Nem podem de consolar (como frequentemente o fazem) com o pensamento de que os cientistas “riram” de Galileu. Claro,
alguns riram, mas muitos não riram. Galileu derrubou a física de Aristóteles porque, antes de mais nada, dominava
cabalmente essa própria física de Aristóteles. Da mesma forma, Copérnico derrubou a teoria de Ptolomeu, porque, em parte,
tinha um conhecimento profundo da teoria de Ptolomeu. E Vesálius superou a anatomia galênica, porque é preciso que se
compreenda, era um entendido em anatomia galênica.
Esta é uma regra geral que deve ser compreendida pelos revolucionários (talvez em todas as áreas do pensamento, mas com
toda a certeza na ciência). Deve-se conhecer cabalmente o que se espera superar.
E agora, como um exemplo de como o jogo é executado, vamos passar a esta questão do deslocamento para o vermelho e
mostrar exatamente como isso foi elaborado, quanto tempo levou, quantos contribuíram e como é improvável que especulações
vagas de amadores lhe dêem nova forma..."
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“A compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda
que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as
rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada.”
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Francis Bacon, filósofo (1561-1626)
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O Ano Miraculoso de Einstein (John Stachel, 1998)
O texto a seguir é a parte inicial da Apresentação, escrita por Roger Penrose, professor de Matemática da Universidade
de Oxford.
“No século XX, tivemos o grande privilégio de testemunhar duas grandes revoluções em nossa visão física do mundo. A
primeira delas virou de cabeça para baixo nossas concepções de espaço e tempo, combinando as duas naquilo que agora
chamamos espaço-tempo, um espaço-tempo que se mostra sutilmente curvo, de tal modo que dá origem ao fenômeno há muito
tempo familiar, onipresente e misterioso da gravitação. A segunda dessas revoluções mudou completamente a maneira pela
qual entendemos a natureza da matéria e da radiação, fornecendo-nos uma visão da realidade em que partículas comportam-se
como ondas, e ondas, como partículas, em uma perspectiva na qual nossas descrições físicas normais estão sujeitas a
incertezas essenciais e em que objetos individuais podem se manifestar em diversos lugares ao mesmo tempo. Passamos a
usar os termos “relatividade” para abranger a primeira dessas revoluções e “teoria quântica” para abarcar a segunda.
Ambas já foram confirmadas pela observação com uma precisão sem precedentes na história da ciência.
Acho justo dizer que, no nosso entendimento do mundo físico, apenas três revoluções anteriores poderiam sustentar uma
comparação genuína com essas duas. Para falar sobre a primeira das três, cumpre voltar aos tempos da Grécia Antiga, em
que surgiu a noção de geometria euclidiana e quando se produziu algum conhecimento a respeito de configurações estáticas
e de corpos rígidos. Mais ainda, quando começou a haver uma valorização do papel crucial do raciocínio matemático nas
nossas percepções da natureza. Quanto à segunda das três revoluções, devemos saltar para o século XVII, quando Galileu
e Newton nos disseram como os movimentos dos corpos ponderáveis podem ser entendidos em termos de forças entre suas
partículas constituintes e das acelerações que essas forças engendram. O século XIX deu-nos a terceira revolução,
quando Faraday e Maxwell mostraram-nos que as partículas não eram suficientes, e que deveríamos considerar também a
existência de campos contínuos permeando o espaço, com o mesmo grau de realidade que as próprias partículas. Esses
campos foram combinados em uma única entidade que a tudo entremeia, referida como o campo eletromagnético, e o
comportamento da luz pôde ser maravilhosamente explicado em termos de oscilações autopropagantes...”
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“Quase todos os progressos da ciência foram pagos com um sacrifício, pois para quase todas as novas conquistas
intelectuais, idéias e conceitos prévios tiveram de ser abandonados. Assim, de certo modo, o aumento do conhecimento
e da compreensão diminui continuamente a afirmação do cientista que diz "entender" a natureza."
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Werner Karl Heisenberg, físico (1901-1976)
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Os Humanos Antes da Humanidade (Robert Foley, 1998)
No Capítulo 2 :
“Peter Medawar uma vez definiu a ciência como a arte do solúvel. Embora essa definição refletisse as predileções do
bioquímico, também conseguiu chegar ao cerne do método científico – a importância de fazer perguntas que possam ser
respondidas. No The Hitchhiker’s Guide To The Galaxy (O Guia do Mochileiro das Galáxias), de Douglas Adams, um potente
computador foi construído para responder à pergunta sobre o “significado da vida, do universo e de tudo”. Além de
levar um tempo exorbitante para encontrar a resposta, que, por sinal, ao ser encontrada, mostrou-se incompreensível,
a pergunta fez pouco mais que dar emprego aos filósofos pagos para especular sobre a resposta. O problema é que a
pergunta quebrou a regra de Medawar a respeito da ciência – ela era insolúvel. Ao contrário de outros campos do
conhecimento, a ciência funciona melhor não fazendo perguntas vastas e grandiosas, e tampouco ignorando essas perguntas,
mas fragmentando-as em pedaços passíveis de serem respondidos. Problemas e perguntas devem ser passíveis de solução,
mesmo que isso signifique que essas soluções nada mais sejam que passos em direção a um objetivo distante. Para alguém
que queira saber a resposta para a vida, o universo e tudo, formular a pergunta nessa forma assoberbante não é a maneira
correta de abordá-la. Na ciência, o conhecimento é particularizado, construído peça a peça. Cada peça, por si só, muitas
vezes é incompreensível e insípida, mas o resultado é muito eficaz. Em lugar de enormes extensões de arcos inferenciais,
temos um edifício sólido. O que lhe falta em glamour e silhuetas espetaculares é compensado pela durabilidade.”
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“Geralmente, pensa-se que a física se refere ao Universo, mas agora sabemos que ela se refere ao que podemos
dizer a respeito dele."
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Niels Bohr, físico (1885-1962)
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A Montanha de Moluscos de Leonardo Da Vinci (Stephen Jay Gould, 1998)
No Capítulo 7 :
"...Se uma afirmação não pode ser refutada, não pertence ao empreendimento da ciência.
...Além do mais, as teorias realmente importantes e poderosas - e a da evolução ocupa uma posição de destaque entre
elas - não se apóiam, nem poderiam fazê-lo, sobre observações isoladas. A evolução é uma inferência construída a
partir de milhares de fontes independentes, e é a única estrutura conceitual capaz de formular um sentido unificado
para essa infinidade de informações díspares."
O Mundo Assombrado Pelos Demônios (Carl Sagan, 1995-1996)
No Capítulo 14 :
“...Vamos imaginar que alguém queira seriamente compreender o que é a mecânica quântica. É preciso que primeiro adquira
uma base, o conhecimento de cada subdisciplina matemática, transportando-o ao limiar da seguinte. Uma a uma, ele deve
aprender aritmética, geometria euclidiana, álgebra da escola secundária, cálculo diferencial e integral, equações
diferenciais ordinárias e parciais, cálculo vetorial, certas funções especiais da física matemática, álgebra matricial e
teoria dos conjuntos. Isso pode ocupar a maioria dos estudantes de física desde a terceira série primária até o início do
curso de pós-graduação – aproximadamente quinze anos. Esse plano de estudos não envolve realmente o aprendizado da
mecânica quântica, mas apenas estabelece os fundamentos matemáticos necessários para conhecê-la em profundidade.
O trabalho do divulgador da ciência, tentando transmitir uma idéia da mecânica quântica a um público leigo que não passou
por esses ritos de iniciação, é desalentador. Na realidade, acho que não existe nenhuma divulgação bem-sucedida da
mecânica quântica – em parte por essa razão. Essas complexidades matemáticas se combinam com o fato de a teoria quântica
ser definitivamente contrária à intuição. Para abordá-la, o senso comum é quase inútil. Não funciona, disse Richard
Feynman certa vez, ao perguntar por que ela é assim. Ninguém sabe por que ela é assim. É simplesmente assim...
...Portanto, qual é a diferença entre uma doutrina xamanista, teológica ou da Nova Era e a mecânica quântica ? A resposta
é que, mesmo sem a compreender, podemos verificar que a mecânica quântica funciona. Podemos comparar as predições
quantitativas da teoria quântica com os comprimentos de onda uniformes das linhas espectrais dos elementos químicos, com o
comportamento dos semicondutores e do hélio líquido, com os microprocessadores, com os tipos de moléculas que se formam a
partir dos átomos que as compõem, com a existência e as propriedades das estrelas anãs brancas, com o que acontece em
masers e lasers, e com materiais que são suscetíveis a determinados tipos de magnetismo. Não precisamos compreender a
teoria para ver o que ela prediz. Não temos de ser físicos perfeitos para ler o que os experimentos revelam. Em cada um
desses exemplos – como em muitos outros –, as predições da mecânica quântica são impressionantemente confirmadas, e com
alto grau de precisão...”
À Luz das Estrelas (Lilia Irmeli Arany-Prado, 2006)
"Não é demais lembrar que a formulação e o entendimento das linguagens utilizadas para expressar idéias exigem a ordenação
de sílabas, palavras e frases. A Astronomia tem a Matemática como sua estrutura básica de linguagem, ordenada mediante
conceitos da Física. A Física poderia ser considerada uma espécie de “tradutora” da linguagem da natureza.
Com a utilização de tais ferramentas, na elaboração e desenvolvimento de teorias, são obtidos resultados quantitativos, ou
números. Estes deverão ser comparados com outros números obtidos de medidas de laboratório ou de dados de observações dos
objetos celestes. Tal comparação é a base do critério de validade científica. Uma teoria científica só é considerada
válida se os resultados do desenvolvimento da teoria coincidem (em ordem de precisão determinada pela própria teoria) com
os resultados da observação de fenômenos naturais ou criados em laboratório. Quando esse teste não é passível de ser
efetuado, a idéia, ou teoria, não passa de especulação.
Medidas pouco acuradas, realizadas com instrumentos mais primitivos, formaram os vínculos necessários para modelos
primordiais, que por sua vez foram a base de modelos mais apurados. Os desenvolvimentos teórico, experimental e
tecnológico são processos iterativos que se retroalimentam.
Contudo, para não ficarmos somente com o aspecto “rigoroso” do procedimento científico, observamos que o desenvolvimento
da “língua” matemática foi acompanhado de uma explícita cumplicidade com a beleza estética do formalismo em si mesmo. Esse
esquema estende-se para a Física. Uma preocupação com a “simplicidade” (relativa) e a beleza das demonstrações ou dos
resultados teóricos também tem sinalizado caminhos para novos desenvolvimentos e aprimoramentos da teoria e da própria
linguagem.
É interessante também lembrar que, em alguns momentos da história, a descoberta científica esteve muito à frente de
alguma aplicação prática, que por sua vez acabou por se transformar em uma aplicação de uso diário em todo o mundo. Isso
nos ensinou que não se deve duvidar da utilidade da ciência, mesmo que em um dado momento não se saiba
para que serve uma teoria aparentemente estranha ou uma descoberta aparentemente inútil."
Algumas Notas Sobre a Natureza da Ciência
O texto a seguir é a tradução da parte inicial do artigo “Some Notes On The Nature Of Science” (junho/2001), por Joe
Schwartz (Ph.D.) e Stephen Barret (M.D.). O original do artigo pode ser visto no link :
www.quackwatch.org/01QuackeryRelatedTopics/science.html
O método científico oferece um modo objetivo de se avaliar informação para determinar o que é falso. O astrônomo Carl
Sagan, Ph.D., recentemente falecido, declarou que “Ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um conjunto de fatos”.
Um livro de 1998 da Academia Nacional de Ciências (Teaching About Evolution And The Nature Of Science) contém um soberbo
capítulo que mostra a distinção entre fatos e teorias e entre "crenças" científicas e fé. Embora o livro enfoque a evolução,
seu raciocínio é igualmente aplicável a questões relacionadas com a saúde. O livro estabelece :
Em termos científicos, “teoria” não significa “adivinhação” ou “palpite” como acontece no uso do dia-a-dia. Teorias
científicas são explicações de fenômenos naturais construídas logicamente a partir de observações de testes e hipóteses.
Cientistas com muita freqüência usam a palavra “fato” para descrever uma observação. Mas cientistas também podem usar
“fato” para definir alguma coisa que já foi testada ou observada tantas vezes que não há mais razão que justifique a
continuação de testes ou procura de exemplos.
Usualmente “fé” se refere a crenças que são aceitas sem evidência empírica (observada). A maioria das religiões tem dogmas
de fé. A ciência difere da religião porque é da natureza da ciência testar e retestar explicações sobre o mundo natural.
Desse modo, explicações científicas são construídas ou modificadas com informação nova ou novos rumos de pesquisa sobre
informação antiga. Isso é inteiramente diferente da maioria das crenças religiosas.
Portanto, “crença” não é realmente um termo apropriado para uso em ciência, porque experimentação é uma parte tão
importante desta maneira de aprender. Se há um componente de fé na ciência, é a premissa de que o universo opera de acordo
com regularidades... Essa “fé” é muito diferente da fé religiosa.
O Andar do Bêbado (Leonard Mlodinov, 2008)
“O momento geralmente tido como o ponto crítico para a revolução científica veio em 1583, apenas sete anos após a
morte de Cardano (*). Foi naquele ano que um jovem estudante da Universidade de Pisa se sentou numa catedral e,
segundo a lenda, em vez de prestar atenção na missa, notou algo que lhe pareceu muito mais intrigante : a oscilação
de um grande lustre suspenso. Usando o próprio pulso como cronômetro, Galileu Galilei notou que o lustre parecia levar
o mesmo tempo para percorrer um grande arco que para percorrer um arco menor. Essa observação lhe sugeriu uma lei : o
tempo necessário para que um pêndulo realize uma oscilação independe da amplitude da oscilação. A observação de Galileu
foi precisa e prática e, apesar de simples, representou uma nova abordagem para a descrição de fenômenos físicos : a
idéia de que a ciência deve dar ênfase à experiência e à experimentação – o modo como a natureza funciona -, e não ao
que afirma nossa intuição ou ao que nos parece mentalmente interessante. E, acima de tudo, a ciência deve utilizar a
matemática.”
(*) Gerolamo Cardano, matemático e médico italiano (1501-1576)