A idéia deste ensaio é apresentar alguns dos curiosos dispositivos que já foram ou ainda são utilizados nas chamadas
terapias alternativas. Nossa opinião é que, enquanto os princípios teóricos em que estes dispositivos se baseiam não forem
comprovados pela Ciência, quaisquer efeitos positivos decorrentes da sua utilização devem ser atribuídos simplesmente ao
efeito placebo ou a outros efeitos não imaginados por seus inventores sobre o organismo dos pacientes. Além disso, o
próprio funcionamento dos dispositivos teria que ser rigorosamente testado em laboratório sob condições controladas.
De modo geral, o que chama a atenção é a simplicidade desses aparelhos que manipulam todo tipo de misteriosas energias.
Nada que sequer se aproxime das complexas estruturas desenvolvidas por nossa Ciência. Tal simplicidade é compensada pela
fértil imaginação de seus criadores e pela credulidade incansável do público.
Veja também :
O Efeito Placebo e as Terapias Alternativas
e
Método Científico
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Mesmer e seu Acumulador de Magnetismo Animal
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Descrição : não consegui uma descrição precisa do acumulador de Mesmer, mas entendi que se tratava de um recipiente
circular feito de madeira (“baquet” em francês), com não mais que meio metro de altura, e grande o suficiente para que
umas vinte pessoas pudessem se acomodar ao seu redor. Em seu interior eram colocados pedaços de metal e vidro, e
possivelmente água com um pouco de ácido sulfúrico. A água com ácido diluído é um meio condutor de eletricidade. O
acumulador era “carregado” com frascos de água “magnetizada” colocados em seu interior ou através de passes. O tanque
tinha orifícios à sua volta para a passagem de hastes ou fios metálicos com uma extremidade mergulhada no líquido, e a
outra projetando-se para fora.
Como operava : os pacientes seguravam as extremidades das hastes ou fios que se projetavam para fora do tanque, e
assim recebiam o “fluido vital”. Para atender a um número maior de pessoas, podiam ser formadas
correntes humanas, com somente algumas em contato com o tanque, todas de mãos dadas e às vezes também ligadas por cordas.
Cabe notar que Mesmer não usava somente o acumulador em seus tratamentos, pois esse equipamento só foi empregado durante
sua estada em Paris. Mesmer começou usando magnetos, que acabou abandonando, e a simples imposição de mãos. Em seu
entusiasmo por atender o maior número possível de pessoas, em Paris Mesmer chegou a “magnetizar” árvores, que podiam então
ser tocadas diretamente, ou através de cordas amarradas no tronco e galhos.
Comentário : Franz Anton Mesmer (1734-1815) não foi um charlatão ignorante e
audacioso como é retratado muitas vezes. Pelo contrário, era médico e teve a melhor formação acadêmica de sua época.
Nasceu na Suábia (Alemanha) e em 1743 iniciou sua educação formal em um monastério. Em 1750 entrou para a Universidade de
Dillingen (Baviera) e recebeu seu Doutorado em Filosofia depois de quatro anos de estudos. Em 1754 começou o curso de
Teologia na Universidade de Ingolstadt (Baviera), e em 1759 entrou para a Universidade de Viena (Áustria), onde
matriculou-se no Curso de Leis. Mas depois de um ano mudou para Medicina, e em 1766, aos 32 anos, obteve o Doutorado com
a tese “Dissertatio Physico-Medica de Planetarum Influxu”, onde falava da influência dos planetas e da gravidade sobre a
saúde. Trata-se de currículo impressionante, e aliás o Curso de Medicina da Universidade de Viena era considerado um dos
melhores da Europa, talvez o melhor. Portanto, Mesmer conhecia a Ciência de sua época e devia estar familiarizado com as
obras de Galileu, Descartes, Leibinitz, Kepler, Newton e outros.
A tese de Mesmer foi em grande parte baseada no conceito do fluido etéreo e universal do médico inglês Richard Mead
(1673-1754). Em resumo, sua tese defendia a idéia de um Universo preenchido por um fluido invisível e de natureza
magnética, emanado das estrelas, e que influenciaria os fenômenos físicos e organismos vivos. Esse fluido também seria
produzido pelos imãs (magnetismo mineral) e pelos seres vivos (magnetismo animal). Um
enfraquecimento ou distúrbio no fluxo deste fluido vital (ou magnetismo animal) no organismo humano, o colocaria fora de
harmonia com o ritmo universal, produzindo doenças nervosas e mentais.
Por volta de 1773, Mesmer começou a tratar pacientes usando placas metálicas magnetizadas, cujo método de fabricação
infelizmente se perdeu. Mas abandonou seu uso ao concluir que o magnetismo animal transmitido através de passes era
perfeitamente capaz de curar os pacientes. Mesmer conhecia as curas efetuadas pelo padre jesuíta Maximilian Hell pela
imposição de magnetos, e do padre Jean-Joseph Gassner, pela imposição de mãos e toques de um grande crucifixo de metal.
Segundo o padre Gassner, esse procedimento expulsava os demônios que causavam a doença. A teoria de Mesmer do magnetismo
animal explicava essas curas.
Em 1778 Mesmer curou a cegueira de uma jovem de 19 anos, Maria Theresa Paradies, que aos três anos de idade perdera a
visão enquanto dormia. A medicina tradicional nada conseguira com Maria, mas essa vitória custou caro a Mesmer. Além dos
inúmeros aborrecimentos e interferências durante o tempo que durou o tratamento, ainda foi acusado de ter um caso com sua
paciente (ele já era casado desde 1768), e teve que abandonar Viena. Em fevereiro de 1778 chegou a Paris, munido de uma
carta de recomendação do Ministro de Assuntos Estrangeiros ao embaixador da Áustria na França.
Seu nome não era desconhecido na França, as curas que obtivera com seu método eram conhecidas. Teve sucesso imediato e
logo atendia a verdadeiras multidões. Mesmer cobrava as consultas de quem podia pagar, mas atendia gratuitamente aos
pobres. Os partidários de sua teoria aumentavam sempre, e ele tinha clientes entre os nobres e freqüentadores da corte.
Aspecto de um salão parisiense de Mesmer. Notar o paciente em pé, ligado ao "baquet", e a mulher sendo colocada em
estado de transe. Através da porta, pode-se ver outro "baquet".
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Caricatura desfavorável ao mesmerismo publicada em 1780, representa um mesmerista como um burro. Na parte superior
duas pacientes são retratadas como ovelhas.
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No entanto, o grande número de curas que inegavelmente conseguiu e o apoio de pessoas altamente colocadas, não foram
suficientes para sustentar sua posição. A hostilidade da classe médica crescia incontrolavelmente por várias razões :
- Pelo fato de Mesmer ser estrangeiro, os médicos franceses o encaravam com má-vontade.
- Pura inveja profissional, pois Mesmer curava pacientes que já haviam sido atendidos inutilmente por outros médicos.
- Mesmer dava consultas gratuitas, e além disso, o seu estilo de atender às multidões, produzindo espetáculos quase
circenses, devia desagradar profundamente aos acadêmicos da época. Não podemos esquecer o pano de fundo histórico, este
foi um período de grande miséria e perturbação na França, em 1778 faltavam apenas onze anos para a Revolução.
Existe um outro complicador, pois não há dúvida que Mesmer se envolveu com a Maçonaria e grupos místicos. O abandono dos
magnetos a partir de 1775 ou 1776 é atribuído por alguns autores a uma visita que teria recebido do Conde St. Germain, que
o convenceu da inutilidade desses acessórios. O desgaste de Mesmer com os médicos vienenses pode ter começado a partir
daí, pois curar usando magnetos era uma coisa, e curar usando apenas um fluido invisível já cheirava a charlatanismo. Além
de maçom, Mesmer também teria pertencido a duas fraternidades ocultas : A Frater Luci e a Irmandade de Luxor. Na França,
Mesmer fundou sua própria Sociedade da Harmonia, destinada ao ensino de sua teoria sobre o magnetismo animal. Este
envolvimento com o misticismo somente pode ter confundido as idéias de Mesmer e produzido mais descrédito junto à classe
médica.
Mesmer tentou sem resultado obter o reconhecimento da Sociedade Real de Medicina e da Faculdade de Medicina de Paris,
solicitando que seus tratamentos fossem acompanhados por médicos designados por estas instituições. Nunca foi atendido,
mas continuou divulgando suas idéias através de livros : Memória Sobre a Descoberta do Magnetismo Animal (1779),
contendo 27 proposições que resumiam sua teoria, e Resumo Histórico dos Fatos Relativos ao Magnetismo Animal (1781).
Em 1784, uma comissão de sábios da Academia de Ciências de Paris, nomeada por ordem direta do Rei, encerrou a questão.
Dela fizeram parte o cientista e diplomata americano Benjamin Franklin (1706-1790) e o químico Antoine-Laurent Lavoisier
(1743-1794). Uma curiosidade histórica é que um dos membros da comissão foi o médico Joseph-Ignace Guillotin (1738-1814),
o inventor da guilhotina. Depois de quatro meses de trabalho, a comissão em seu relatório (Rapport des Commissaires
Chargés par le Roy de l’Examen du Magnétisme Animal) reconheceu a ocorrência de curas, mas ressaltou a impossibilidade de
demonstrar a existência do magnetismo animal. Os testes realizados mostraram inclusive que pacientes respondiam a objetos
não “magnetizados” e “magnetizados” do mesmo modo. As curas portanto foram atribuídas à sugestão e a causas fisiológicas
desconhecidas. Além disso, a comissão ainda encaminhou um relatório confidencial à polícia, alertando-a sobre o potencial
licencioso das clínicas mesmeristas, uma vez que as mulheres eram mais afetadas pela sugestão e histeria. A Sociedade Real
de Medicina também publicou seu próprio relatório, desfavorável ao mesmerismo.
Com o mesmerismo desacreditado pelas autoridades, e um problema adicional causado por um membro da Sociedade da Harmonia
que publicou em 1785 os “Aforismos de Mesmer”, ensinamentos secretos desta Sociedade, Mesmer abandonou Paris neste mesmo
ano. Ele ainda retornaria à França, onde morou de 1796 a 1802, sem jamais deixar de divulgar suas idéias.
O mesmerismo não morreu como bem sabemos, embora para a Ciência, Mesmer tenha sido apenas um precursor do moderno
hipnotismo e da terapia por sugestão. Os “passes magnéticos” são praticados por espiritualistas e praticantes de terapias
alternativas, embora a existência daquilo que é transmitido através dos passes jamais tenha sido comprovada.
Autores espiritualistas e místicos naturalmente defendem as idéias de Mesmer e sempre ressaltam o clima de extrema
intolerância que ele enfrentou. Alguns criticam a “rigidez” e a “estreiteza de idéias” dos membros da comissão que avaliou
o mesmerismo. Concordamos quanto à intolerância e preconceito de parte da classe médica, mas quanto aos testes para
comprovar a existência do magnetismo animal, estes autores mostram desconhecer o que é Ciência e método científico.
Se podemos comprovar a existência do “magnetismo mineral” através de experimentos, porque não o “magnetismo animal”, desde
que ele exista ? Pois a realização de curas não prova de forma alguma a teoria do magnetismo animal. A existência do
“fluido vital” ou “magnetismo animal” teria que ser comprovada de forma independente, e foi isso que a comissão tentou
realizar sem sucesso. Se o “fluido vital” não pode ser detectado pelo método científico, ele não existe para a Ciência, é
assim que a coisa funciona. Generalizando, qualquer proposição ou teoria que não pode ser validada pelo método científico,
não pertence ao âmbito da Ciência, pode quando muito pertencer ao âmbito da Filosofia ou da Religião.
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A Caixa Orgônica do Dr. Reich
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Wilhelm Reich (1897, Áustria – 1957, EUA), era de família judia não-praticante, perdeu a mãe
aos 13 anos (ela suicidou-se ao ser descoberto seu caso com o tutor do filho) e o pai aos 16. Lutou na 1ª Guerra Mundial,
tendo chegado ao posto de tenente.
Com o término da guerra em 1918, matriculou-se no curso de Medicina da Universidade de Viena, onde formou-se em 1924. Em
1920 entrou para a Sociedade Psicanalítica de Viena, na época dirigida por Sigmund Freud. Observem que Reich era apenas
um estudante de 23 anos, portanto Freud deve ter enxergado algo bem promissor nele.
De 1922 a 1924 estudou neuropsiquiatria no Hospital Universitário de Viena, com o professor Wagner Jauregg, futuro
ganhador do Prêmio Nobel de Medicina.
Em 1927 publicou “A Função do Orgasmo” e em 1929, o “Materialismo Dialético e Psicanálise”. Mudou-se para Berlim em 1930,
tendo ingressado no Partido Comunista Alemão, do qual foi expulso em 1933.
Reich era fascinado pela questão sexual e o orgasmo, ainda em 1930 afirmou ter descoberto o “orgônio”,
a substância vital presente na energia sexual. O “orgônio” seria a energia cósmica primordial e onipresente, de cor azul,
responsável pelo clima, cor do céu, gravidade, formação das galáxias e manifestações biológicas das emoções e sexualidade.
Em 1933 publicou “Análise de Caráter” e “Psicologia das Massas e Fascismo”, neste último afirmava que o fascismo era um
sistema de repressão sexual. Fugindo do nazismo, viajou para a Dinamarca (1933), Suécia e por fim estabeleceu-se na
Noruega (1934). Mas antes disso já fora excluído do círculo de Freud, por suas idéias extremistas.
Em 1934 desenvolveu o projeto “Bions” para provar a materialidade da energia sexual. Os “bions” seriam
organismos azuis destruidores de bactérias, e existiriam num estado intermediário entre a matéria viva e a morta. Pelo
menos uma parte dessas pesquisas foi realizada no Instituto de Biofísica em Oslo (Noruega).
Em 1936 publicou “A Revolução Sexual”, onde apresentou a idéia de que a liberdade sexual era a chave para uma sociedade
estável. Suas idéias, expostas em várias publicações, desagradavam profundamente um grupo de psiquiatras da Universidade
de Oslo, que moveu contra Reich uma tenaz campanha pelos jornais. Depois de um ano suportando ataques através da imprensa,
ele resolveu em 1939 mudar-se para os EUA.
Em 1939, já morando em Nova York, criou o
“Acumulador de Energia Orgônica” (Orac). Em 1941 foi preso pelo FBI (Federal
Bureau of Investigation) por atividades subversivas.
Em 1944 mudou-se para o estado do Maine, onde construiu uma casa que chamou de “Orgonon”. Novamente teve problemas com o
FBI, desta vez por causa do “acumulador de orgônio”.
Seus seguidores criaram em 1948 a Fundação Wilhelm Reich para preservar sua obra. Mas entre 1948 e 1957 Reich foi
investigado pelo FDA (Food and Drug Administration), agência do governo americano que regula gêneros alimentícios e
medicamentos. Circulavam rumores que sua casa abrigava um culto de sexo e que Reich usava seu acumulador para tratar até
casos de câncer. Em 1954 foi proibido de vender seus acumuladores fora do estado, decisão judicial que não obedeceu.
Afinal foi preso por desobedecer ordens judiciais e também acusado de fraude. Imprudentemente, fez sua própria defesa e
acabou condenado em 1957 a dois anos de prisão. Todas as suas obras foram proibidas, equipamentos foram destruídos e seis
toneladas de livros e documentos queimados. Um psiquiatra da prisão diagnosticou "paranóia manifestada por delírios de
grandeza e perseguição, e discurso auto-referente". Reich morreu na prisão em novembro/1957 de um ataque cardíaco, enquanto
dormia.
O “Acumulador de Energia Orgônica” ou “Caixa Orgônica” :
Descrição : é uma caixa de forma cúbica com as paredes formadas por três camadas de materiais diferentes. A externa
deve ser feita de um material orgânico como a madeira, a intermediária é feita de lã ou algodão em rama, e a interna é
metálica.
Na verdade trata-se apenas de um capacitor oco, com um cubo de chapa metálica rodeado por duas camadas de material
isolante. Qualquer condutor isolado pode armazenar carga elétrica, funcionando portanto como um capacitor. Reich
provavelmente não se preocupou em estudar física.
Como opera : A camada externa capta o orgônio da atmosfera e o cede à camada intermediária. Esta camada
intermediária cede a energia ao metal que sendo bom condutor e mau armazenador de energia orgônica rejeita-a para o
interior da caixa. Deste modo a caixa vai concentrando energia orgônica em seu interior.
Os pacientes devem permanecer de 30 a 40 minutos por dia no interior da caixa. A absorção da energia orgônica irá ajudar o
organismo a combater os microorganismos causadores da doença e aumentará a renovação das células.
Os seguidores de Reich também já alegaram que vinho e leite colocados no interior da caixa se conservam por mais tempo.
Comentário : O suposto mecanismo de captação da energia orgônica pela caixa é de um ridículo constrangedor. Porque
a madeira cederia a energia à camada de lã ou algodão ? Talvez por serem também materiais orgânicos ? Porque não passar a
energia diretamente à camada metálica interior ? Os metais são bons condutores de calor e eletricidade, mas porque
conduziriam também energia orgônica ? Reich postulou isso ? Combinando a suposta condução com a suposta impossibilidade
da matéria inorgânica armazenar orgônio, Reich imaginou que a camada metálica “sugaria” o orgônio da camada intermediária
para o interior oco. Um monte de besteiras, do princípio ao fim.
Reich fez inúmeras experiências que mostraram a importância de usar materiais que não absorvessem umidade, isto é, ele
apenas aprendeu a melhorar a qualidade do seu capacitor, pois a umidade destrói as propriedades isolantes (dielétricas).
Também achou que com chapas de aço obtinha melhores resultados do que com alumínio ou cobre. É possível que o uso de
chapas de material ferromagnético afetasse fortemente os testes que fazia com agulhas magnéticas para verificar a presença
de orgônio. Mas ele atribuiu o melhor desempenho das chapas de aço à presença de carbono e ferro no sangue dos mamíferos,
de modo que havia mais sintonia entre o interior da caixa e os pacientes ou animais cobaia. Isto é, como o aço
aparentemente concentrava mais o orgônio, os resultados TINHAM que ser melhores, e os experimentos “confirmaram” sua idéia
preconcebida.
Reich em primeiro lugar, e depois muitos de seus seguidores alegaram poder demonstrar objetivamente o acúmulo de energia
no interior da caixa. E isso com o uso de instrumentos como termômetros, eletroscópios, agulhas magnéticas e contadores
Geiger. Sendo a caixa realmente um capacitor, alguns dos experimentos se explicariam facilmente sem o orgônio, como é o
caso do uso de um eletroscópio. Infelizmente somente os adeptos de Reich conseguem realizar com sucesso os surpreendentes
experimentos relatados.
Em janeiro de 1941, após um contato por carta, Reich visitou Einstein em Princeton. Depois de conversarem longamente,
Einstein concordou em testar um acumulador de orgônio. Se um objeto pudesse ser aquecido sem uma fonte de calor aparente,
seria uma descoberta revolucionária. Reich forneceu um pequeno acumulador, e a temperatura foi medida no topo, no interior
e próximo à caixa. Depois as duas camadas isolantes foram removidas e o experimento repetido. Em uma semana foi observado
um aumento de temperatura em ambos os casos. Reich concluiu que o calor era resultado de uma nova forma de energia, mas
um colega de Einstein em Princeton interpretou o fenômeno como o resultado de correntes térmicas de convecção. Einstein
concordou com esta explicação, e realizou mais alguns experimentos, dando o assunto por encerrado sem aceitar a existência
do orgônio.
Este episódio é muito revelador, pois os relatos dos experimentos conduzidos por Reich em suas próprias instalações são
impressionantes. Reich (segundo ele mesmo) teria conseguido resultados espetaculares com suas experiências. Mas Reich era
fraquinho em Física e estava ansioso por demonstrar suas teorias. Não deve ter usado todas as precauções necessárias e
também interpretou o que observava a seu próprio modo.
Reich alegou existir também o anti-orgônio, que chamou de “deadly orgone energy” ou DOR (energia orgônica mortal), que
produziria doenças, prejudicaria o crescimento das plantas, etc. Surgia espontaneamente na Natureza, mas também poderia
ser produzida por antenas de microondas, materiais radioativos, explosões nucleares e outras fontes. Para eliminar o DOR
da atmosfera, Reich imaginou um dispositivo que ficou conhecido como “destruidor de nuvens”
(cloudbuster). Era constituído por vários tubos metálicos montados paralelamente em uma
estrutura. Uma extremidade de cada tubo era conectada por um grosso cabo condutor a um tanque de água. Os tubos deviam ser
apontados para o céu, a água atrairia o anti-orgônio, que entraria pelos tubos, passaria pelos cabos até a água, sendo
então absorvido. Um aparelho louquíssimo ! Realizando testes com a engenhoca, Reich “descobriu” que poderia produzir
chuva, ao condensar as nuvens (a retirada do anti-orgônio fazia isso?). Há registros de supostas tentativas bem
sucedidas de produzir chuva com o aparelho, e até de buracos produzidos em nuvens, ao ser o aparelho apontado para elas !
O Dr. Reich aponta o seu "destruidor de nuvens". A imagem parece saída de um antigo filme de ficção científica em
preto e branco.
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As idéias de Reich sobre a manipulação do orgônio deram origem a uma série de outros dispositivos fantasiosos além do seu
próprio acumulador e do cloudbuster :
1 – Colocar uma pirâmide sobre a caixa orgônica. A pirâmide funciona como “antena” para a energia cósmica e aumenta a
concentração de orgônio.
2 – Bastão de Bernd Senf : constituído por uma haste de ferro com 30 cm de comprimento e
cerca de 6,5 mm de diâmetro. Ao seu redor são enroladas 40 camadas alternadas de papel laminado de alumínio e celofane. A
primeira camada, em contato com o ferro é de papel de alumínio, e o conjunto deve ser protegido externamente por mais 2
camadas de papel celofane, que também cobrirá uma das extremidades da haste de ferro. A extremidade descoberta é a saída
da energia orgônica, captada de fora para dentro.
O bastão serve para tratamentos localizados, e a energia é fornecida pelo terapeuta ao empunhá-lo.
3 – Gerador Aton : é uma pirâmide com as paredes formadas por uma camada externa de
material orgânico, e uma interna de cobre. Funciona como antena captadora da energia orgônica cósmica. Notar que as duas
camadas de material orgânico do acumulador de Reich foram abandonadas, aqui é usada apenas uma camada.
4 – Manta Orgônica : fabricada com camadas alternadas de materiais orgânicos e
inorgânicos, de modo a condensar o orgônio atmosférico em seu interior. Pode ser usada como cobertor ou enrolada em volta
da parte do corpo a ser tratada, com a parte interna (identificada pelo fabricante) em contato com o corpo.
5 – Aparato Orgonite ou Gerador de Orgônio : é
fabricado com “orgonite”, uma mistura de resina orgânica e limalha metálica (alumínio, cobre ou
aço). Em seu interior são colocados cristais para intensificar a captação da energia.
Veja também :
Cristais e Esoterismo
Pode ser produzido em qualquer formato, mas já foi comercializado em forma de pirâmide (tinha que ser !!!). Supõe-se que a
“orgonite” tem a capacidade de atrair e capturar o orgônio.
O gerador funciona continuamente, captando o orgônio e lançando-o no ambiente, beneficiando a saúde de todos. Parece que
também neutraliza os efeitos nocivos das emissões eletromagnéticas de computadores, torres de telefonia celular, antenas
em geral, eletrodomésticos, televisores e sabe-se lá o que mais.
Aqui juntaram uma nova forma de captar o orgônio, ou seja, a “orgonite”, com a “energia dos cristais”. E em alguns
geradores, com a “energia das pirâmides”.
6 – Cone Transmutador de Energias (junho/2010) : é um cone de oito lados, fabricado
com metal e cristais, e segundo o fabricante capta e armazena a energia orgônica. Instrumento quântico (?!), suas medidas
estariam de acordo com uma tal "geometria sagrada" (?!). Como jogada de marketing, acrescentaram portanto terminologia
científica e mística.
7 – Chembuster (“destruidor de químicos”) : consiste em um conjunto vertical com uns 6
tubos de 1,80m embebidos em uma base de orgonite e cristais de quartzo. Combina portanto os princípios do cloudbuster e da
orgonite. O chembuster elimina a poluição atmosférica e as nuvens artificiais (chemtrails)
carregadas de energia negativa. Parece que esse modesto dispositivo atua num raio de dezenas de quilômetros, sugando a
energia negativa para a base de orgonite onde é transformada em energia positiva.
Para encerrar essa loucura toda, encontrei na internet menção a uma prática chamada
“movimento orgonite gifting”. Seus adeptos pensam beneficiar a comunidade colocando
pequenos dispositivos orgonite chamados “TowerBusters” perto de torres de telefonia celular para
neutralizar sua “energia negativa”.
A propósito, existe uma tal “Orgonomia”, que é “a ciência que busca compreender a energia orgone
em todas as suas manifestações e em diferentes concentrações, movimentos e formas”. Como sequer está provado que o orgônio
existe, os adeptos dessa “ciência” deveriam se preocupar primeiro em demonstrar a sua existência.
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Beamer Light Pen (Cromopuntura Aura-Soma)
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Descrição : é uma lanterna onde são inseridas ampolas de vidro contendo as combinações de líquidos bicolores do
sistema Aura-Soma. A luz da lanterna passa através da ampola e deve ser dirigida a partes específicas do corpo.
Como opera : a luz ao passar através dos líquidos, capta sua energia e a transfere ao ponto visado do corpo.
Pontos do corpo : chakras, nadis, meridianos e pontos da acupuntura, pontos do Jin Shin Jyutsu, portais maias
(pontos ligados aos ciclos do Universo, relacionados ao calendário maia).
Comentário : o aparelho foi imaginado pela suíça Bernadette Méier-Michel e desenvolvido pelo Centro Aura-Soma da
Inglaterra. Por sua vez, o sistema Aura-Soma foi criado pela inglesa Vick Wall a partir de 1984, quando tinha 66 anos, e
trata-se apenas de uma forma modificada de cromoterapia. Segundo suas palavras o sistema se baseia “em princípios
eletromagnéticos já conhecidos e usados pelos povos da Lemúria e Atlântida”. A base do sistema são frascos com duas
camadas de líquidos de cores diferentes, a superior é uma solução oleosa, e a inferior é aquosa. Segundo a Aura-Soma, os
líquidos contém as “energias vivas” (!?) de diversas plantas (ervas e flores) e minerais (como os cristais). Para
incorporar aos líquidos a "energia curadora" dos minerais, são utilizadas invocações cabalísticas.
Naturalmente, não há qualquer base científica para o método criado pela gentil senhora inglesa, trata-se apenas de uma
agradável fantasia multicolorida. A palavra “energia” é usada abusivamente, fora do contexto da Ciência. Questões básicas
seriam :
* Como provar que os líquidos contém qualquer forma especial de energia e não são apenas o que parecem, óleo e água
coloridos ?
* E que “energia” misteriosa é essa ? Já foi definida com a precisão necessária ? Sua existência é comprovada ?
* Como provar que a luz da lanterna ao atravessar os líquidos, absorve de forma misteriosa suas energias misteriosas e as
transfere de modo misterioso ao usuário do aparelho ?
A lista de aplicações deste simples aparelho é fantástica, pode ser usado para :
- Combater o estresse, a ansiedade e a depressão.
- Aliviar as dores físicas e sintomas pré e pós-operatório.
- Aliviar os efeitos da radio e quimioterapia.
- Aumentar a produção de células T.
- Tratamento de impotência sexual, frigidez, distúrbios hormonais, insônia, hipersônia, câncer e doenças somáticas,
doenças cardiovasculares, circulatórias, linfáticas, hipertensão, dores de cabeça, enxaquecas e distúrbios intestinais.
- Desbloqueio energético do corpo, aumentando a energia vital.
- Revitalização do corpo e mente.
- Aumentar a percepção, desenvolver a concentração e a criatividade.
- Revitalização de plantas e animais.
- Limpeza energética de ambientes.
Vejam só o que uma simples lanterna com o auxílio de algumas ampolas mágicas pode fazer !
Existem outros dispositivos similares ao “beamer light pen” disponíveis no mercado; geralmente são anunciados como canetas
ou bastões para cromoterapia e cromopuntura. São simples lanternas construídas de tal modo que a cor da luz emitida possa
ser variada facilmente, através por exemplo da inserção de pequenas placas de acrílico colorido. As cores disponíveis
podem ser “as cores dos chakras” (?!) ou quaisquer outras, de acordo com a criatividade do fabricante. Lanternas para
cromoterapia podem receber nomes fantasia como "Bastão Atlante", um desavergonhado apelo comercial
com o nome da mítica Atlântida, que aliás nunca existiu. Todos esses dispositivos tem uma coisa em comum : são absolutamente
inócuos.
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Instrumentos Quânticos (junho/2010)
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Trata-se de uma série de quinquilharias as mais diversas, que recebem esse nome para aproveitar a falta de conhecimento do
grande público sobre Física Quântica. Os fabricantes nem sequer se dão ao trabalho de explicar o porque do nome, quando
muito falam vagamente de “pesquisas em Física Quântica”. São indicados para neutralizar e transformar energias ou
radiações nocivas, resultando em limpeza e harmonização energética de ambientes e melhorando a saúde pessoal.
Terminologia pseudo-científica é muito usada : "emissão energética", “emissão de energias de harmonia”, “elevação da
freqüência do ambiente”, “campo de harmonia”, “formação através de ressonância, de campos energéticos favoráveis”,
“dinamização e estabilização de bioenergias”, etc. Baboseiras do princípio ao fim. Curiosamente, uma terminologia e
efeitos parecidos são usados em relação aos dispositivos orgonite.
Pelo menos as tais quinquilharias “quânticas” podem ser usadas como enfeites e não apresentam risco à saúde, uma vez que
não fazem qualquer efeito.
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Pulseira do Equlíbrio (agosto/2010)
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É apenas a velha história da “pulseira magnética” milagrosa, requentada com propaganda diferente. Os fabricantes alegam
que as pulseiras contém “hologramas quânticos que emitem energia em freqüências que interagem de modo positivo com o campo
eletromagnético do corpo humano”. Tudo besteira evidentemente, apenas um monte de palavras, propaganda sem qualquer
fundamento científico. A falta de conhecimento do grande público em física quântica e eletromagnetismo é explorada. E
nenhuma prova de que as pulseiras funcionam foi jamais apresentada, apenas muita propaganda e declarações de consumidores
iludidos.
Outros Nomes : Pulseira Holográfica, Pulseira Quântica, Pulseira Bioquântica, Pulseira Life Extreme (no Brasil),
EFX, Energy Balance, Equilibrium, Harmony Zen, Ion Balance, Power Balance, Power Equilibrium, Powerplus, Trion-Z
Veja o texto completo em :
Pulseira Magnética Ataca Novamente !
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Aparelhos Bioquânticos (julho/2011)
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São dispositivos colocados em objetos como colchões e “energizadores” para água. No caso dos colchões, a “energia bioquântica”
do usuário será fortalecida ou harmonizada pelas “ondas bioquânticas” dos dispositivos no interior desses colchões. No caso da
água, esta será “energizada” pelas “ondas bioquânticas”, e trará benefícios à saúde ao ser ingerida.
Os fabricantes são bastante discretos em relação à natureza destes dispositivos e o seu exato funcionamento. Não conseguimos
encontrar em nenhum site qualquer menção a testes em laboratórios independentes, o que seria essencial para a credibilidade.
O abuso da terminologia pseudo-científica é uma constante na propaganda destes produtos. Como ninguém se preocupou em definir
exatamente o que é a tal “energia bioquântica” e suas propriedades, é fácil afirmar que um certo dispositivo pode afetá-la.
O difícil é PROVAR essas afirmativas, inclusive a própria existência dessa energia.