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8.   Matéria e Energia Escuras


Galáxias Espirais Podem Ajudar a Entender a Matéria Escura (04/04/2012)


Mapa Detalhado de Matéria Escura Fornece Pistas Para Crescimento de Aglomerado Galáctico


  Astrônomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA aproveitaram uma gigantesca lente de aumento cósmica para criar um dos mais detalhados mapas de matéria escura do universo. Matéria escura é uma substância desconhecida e invisível que constitui o grosso da massa do universo.

  As novas observações da matéria escura podem fornecer novas perspectivas sobre o papel da energia escura nos anos primordiais da formação do universo. O resultado sugere que aglomerados galácticos podem ter se formado mais cedo do que o esperado, antes que o empurrão da energia escura inibisse seu crescimento. Uma misteriosa propriedade do espaço, a energia escura luta contra a puxada gravitacional da matéria escura. A energia escura empurra as galáxias separando-as umas das outras, esticando o espaço entre elas, desse modo suprimindo a formação de estruturas gigantes chamadas aglomerados galácticos. Um modo dos astrônomos provarem esse primordial cabo-de-guerra é através do mapeamento da distribuição da matéria escura nos aglomerados.

  Uma equipe liderada por Dan Coe no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia, usou a Câmera Avançada para Pesquisas do Hubble para mapear a matéria invisível no aglomerado galáctico massivo Abell 1689, localizado a 2,2 bilhões de anos-luz de distância. A gravidade do aglomerado, a maior parte da qual se origina da matéria escura, atua como uma lente de aumento cósmica, encurvando e amplificando a luz de galáxias distantes atrás dela. Esse efeito, chamado lente gravitacional produz imagens múltiplas, nítidas, e grandemente aumentadas daquelas galáxias, como a vista em um espelho de uma casa de diversões. Estudando as imagens distorcidas, os astrônomos estimam a quantidade de matéria escura no interior do aglomerado. Se a gravidade do aglomerado proviesse apenas das galáxias visíveis, as distorções pelo efeito lente seriam muito mais fracas.

  Baseados em seu mapa de massa com alta resolução, Coe e seus colaboradores confirmaram resultados prévios que mostravam que o núcleo de Abell 1689 é muito mais denso em matéria escura do que o esperado para um aglomerado do seu tamanho, com base em simulações de computador de crescimento da estrutura. Abell 1689 junta-se a um punhado de outros bem estudados aglomerados que similarmente possuem núcleos densos. O achado é surpreendente, porque o empurrão da energia escura na história primordial do universo teria dificultado o crescimento de todos os aglomerados galácticos.

  “Aglomerados galácticos, portanto, teriam que ter começado a se formar bilhões de anos mais cedo de modo a alcançar os números que vemos hoje”, explica Coe. “Nos tempos primordiais, o universo era menor e mais densamente preenchido com matéria escura. Abell 1689 parece ter sido bem alimentado no seu nascimento pela matéria densa que o circundava no universo primordial. O aglomerado carregou esse volume com ele através de sua vida adulta para aparecer como o observamos hoje.”

Mapeando o Invisível

  Abell 1689 está entre os aglomerados com as mais poderosas lentes gravitacionais jamais observadas. As observações de Coe, combinadas com estudos prévios, produziram 135 imagens múltiplas de 42 galáxias de fundo.

  “As imagens obtidas com a lente são como um grande quebra-cabeças”, diz Coe. “Aqui nós vislumbramos, pela primeira vez, um meio de arrumar a massa de Abell 1689 de modo que sua lente apresentasse todas essas galáxias de fundo em suas posições observadas”. Coe usou essa informação para produzir um mapa de alta resolução da distribuição da matéria escura do aglomerado, o que nunca tinha sido possível antes.

  Coe fez parceria com o matemático Edward Fuselier, o qual, nessa época, estava na Academia Militar dos Estados Unidos em West Point, para inventar uma nova técnica para calcular o novo mapa. “Graças, em grande parte, às contribuições de Eddie, nós finalmente “quebramos o código” da lente gravitacional. Outros métodos se baseiam em fazer uma série de estimativas sobre como é o mapa, e então os astrônomos escolhem aquele que melhor combina com os dados.Usando nosso método, podemos obter, diretamente dos dados, um mapa da massa que fornece uma combinação perfeita.

  Os astrônomos estão planejando estudar mais aglomerados para confirmar a possível influência da energia escura. Um programa maior do Hubble que analisará a matéria escura em aglomerados galácticos gigantes é a pesquisa de Efeito Lente em Aglomerados e Supernovas com o Hubble (CLASH). Nessa pesquisa, o telescópio estudará 25 aglomerados no período total de um mês nos próximos três anos. Os aglomerados CLASH serão selecionados pelo critério de forte emissão de Raios-X, indicando que eles contém grandes quantidades de gás quente. Essa abundância significa que os aglomerados são extremamente massivos. Observando esses aglomerados, os astrônomos mapearão as distribuições de matéria escura e procurarão por evidências mais conclusivas para a formação mais cedo de aglomerados, e possivelmente a energia escura primordial.

  O Telescópio Espacial Hubble é um projeto de cooperação internacional entre a NASA e a Agência Espacial Européia. O Centro Goddard de Vôo Espacial administra o telescópio. O Instituto de Ciência de Telescópios Espaciais (STScI) conduz as operações científicas do Hubble. O STScI é operado para a NASA pela Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia, S.A., em Washington, D.C.

Fonte : NASA JPL/Caltech and STScI, ESA (12/11/2010)





Hubble : foto da matéria escura


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